Era bolha, então? Investidores de criptomoedas relatam quedas e perdas

Por Rafael Arbulu | 21 de Agosto de 2018 às 13h52

Ao final de 2017 e janeiro de 2018, apostar nas criptomoedas parecia um tiro certo: notícias em todos os jornais e sites apontavam aumento diário na valorização dos tokens virtuais, efetivamente encarecendo a sua aquisição — fazia sentido para muitas pessoas, então, entrarem no bonde e começar a investir, com força, em um mercado que não dava sinais de desacelerar.

Pois desacelerou. E muito, praticamente pisando nos freios com os dois pés. Segundo matéria do New York Times, praticamente todas as criptomoedas disponíveis no mercado valem, hoje, cerca de 75% a menos que seu pico mais alto de cotação no início deste ano. Sem citar nomes diretos mas munido de dados do site coinmarketcap.com, o periódico foi atrás de pessoas — tanto o investidor casual, de primeira viagem, como os mais veteranos, com experiência de mercado acionário — para saber os resultados de suas desventuras com as moedas virtuais.

O setor de criptomoedas como o Bitcoin (foto) vem sofrendo quedas atrás de quedas: ainda há chance de uma recuperação?

É difícil dizer o tamanho do prejuízo de alguns dos relatos ouvidos pelo jornal. De forma unânime, todos eles perderam dinheiro. Mas há ainda quem entre eles acredite em uma “virada” no mercado, o que efetivamente lhe recuperaria o valor investido e, quem sabe, até se tornaria um lucro. Casos como o de Tony Joo, um analista financeiro de Los Angeles que investiu mais de US$ 100 mil de suas economias em criptomoedas. Seus valores caíram cerca de 70% desde então. Porém, Tony se mantém otimista: “Tem muita coisa por trás dessa nova onda tecnológica e de inovação, que eu tenho certeza que ela tomará nossa sociedade no tempo certo”, ele disse.

Nem todos compartilham deste sentimento, porém. Pete Roberts, de Londres — outro entrevistado do New York Times —, investiu cerca de US$ 23 mil, com seus tokens, hoje valendo.... US$ 4 mil. “Eu fiquei assustado pelo medo de perder uma tendência e tentei trazer um lucro rápido”, comentou. “As perdas me deixaram praticamente arruinado”.

Diversas pessoas relatam perdas imensas, mesmo em investimentos mínimos, quando depositaram suas esperanças nas moedas virtuais

Não é a primeira queda que o mercado de criptomoedas enfrenta — e uma eventual recuperação também não seria surpresa. Contudo, desta vez, os efeitos negativos podem ser mais duradouros devido ao volume massificado de pessoas sem experiência em investimentos que entrou no setor. Estas, segundo analistas, serão as mais impactadas.

Países como a Coreia do Sul e Japão são apenas alguns onde pessoas mais casuais tentaram entrar nesse mercado sem cuidado. No caso da Coreia, ainda há um agravante de lojas que abriram escritórios físicos para abraçar um público ainda inseguro de fazer certas transações online.

Tais escritórios, hoje, estão mais caros do que as moedas que eles aconselham investir. Kim Hyon-jeong, uma professora de 45 anos, mãe de uma família residente da periferia de Seul, investiu aproximados US$ 90 mil, dos quais, para chegar a este montante, ela precisou tirar dinheiro da própria poupança, um empréstimo e sacar um valor de um seguro. Tudo isso para sustentar uma queda de 90% dos investimentos. “Eu achei que as criptomoedas seriam a saída para pessoas comuns, trabalhadoras como eu. Achei que minha família e eu poderíamos escapar das dificuldades e viver com mais conforto, mas aconteceu justamente o contrário”.

E o que dizem os especialistas?

“O que o cidadão comum ouve é sobre como amigos perderam fortunas. Exuberância irracional leva à ‘pendura’ financeira e atrasa o progresso”, disse Alex Kruger, um ex-bancário cuja carreira migrou para o investimento em moedas virtuais.

Empresas de corretagem de criptomoedas também sentiram o golpe: Coinbase, a maior empresa de oferta de investimentos em Bitcoin dos Estados Unidos, dobrou seu portfólio de clientes no último ano, mas se qualquer um destes clientes tivesse adquirido Bitcoins em qualquer período nos últimos nove meses — alguns o fizeram —, estariam, em sua maioria, com saldos negativos.

O próprio Canaltech já cobriu as criptomoedas em algumas ocasiões, incluindo as informações mais recentes do lançamento da Petro, a criptomoeda venezuelana que já tem a maior desvalorização cambial da história do país, com uma queda de 95% desde sua adoção formal. Também fizemos um especial sobre como iniciar os seus passos no Bitcoin, com o devido cuidado e plataformas que visam proteger o investimento do usuário.

Fonte: New York Times

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