Empresa de criptomoedas acusa YouTube de não agir contra golpistas e fakes

Empresa de criptomoedas acusa YouTube de não agir contra golpistas e fakes

Por Felipe Demartini | 23 de Abril de 2020 às 09h17
Reprodução/Felipe Demartini

A Ripple, responsável pela criptomoeda do mesmo nome, está processando o YouTube pela falta de ação na remoção de contas falsas que tentavam se passar pela empresa e seus representantes ou executivos. A ação, movida nesta semana em uma corte do estado americano da Califórnia, acusa a plataforma de vídeos do Google de não tomar nenhuma atitude sobre o caso enquanto ignorava mais de 350 reclamações sobre o assunto.

Nos documentos, a Ripple afirma que o YouTube falhou de forma inexplicável em suas medidas de moderação, não apenas ignorando as centenas de alertas dadas pela companhia, mas também chegando a dar selos de verificação e permitindo a compra de anúncios por essas mesmas contas. A empresa alega que, com isso, a plataforma acabou causando danos irreparáveis à marca, exigindo não apenas a remoção dos perfis, como também compensações financeiras.

De acordo com a Ripple, os casos se acumulam desde meados do ano passado, com a principal categoria de golpe envolvendo a oferta de montantes em XRP, a sigla da criptomoeda, em troca de depósitos iniciais. Tais anúncios seriam feitos a partir de contas roubadas de outros criadores de conteúdo, cujas informações são modificadas como pertencentes à companhia, com os números de visualizações e inscritos ajudando a dar aparência de legitimidade ao golpe.

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Um dos casos mais notórios aconteceu em março, quando uma conta tentou se passar pelo CEO da Ripple, Brad Garlinghouse. O perfil, supostamente roubado e com todos os vídeos originais ocultados ou deletados, continha apenas uma postagem, de uma entrevista real com o presidente da empresa. Edições e links na descrição levavam usuários a uma suposta entrega de mais de cinco milhões de unidades da criptomoeda em troca de um depósito inicial — quanto maior o valor enviado, maior a recompensa.

De acordo com o processo, essa é a categoria usual de golpe, com o caso citado apenas sendo o principal por conta do tamanho da conta usada para a fraude. Segundo a Ripple, os bandidos também utilizam perfis vendidos por criadores de conteúdo, que inflam canais de forma artificial justamente visando a venda, tendo golpistas desse tipo como seus principais clientes.

A alegação de que a inação do YouTube resultou em danos à marca vem do que a Ripple afirma ser uma “tempestade” de mensagens de investidores e usuários que a acusam de roubo após terem caído em golpes desse tipo ou verem suas carteiras de criptomoedas serem furtadas. A empresa não fala em valores totais, mas cita prejuízos de até 15.000 XRP em alguns casos, um valor equivalente R$ 16,6 mil de acordo com a cotação do momento em que essa reportagem é escrita.

Em comunicado à imprensa, a administradora de criptomoedas afirmou acreditar que o processo possa servir como um alerta a toda a indústria, já que diz não ser a única a sofrer com esse tipo de fraude. Já o YouTube, em, afirmou levar o mau uso de contas na plataforma muito à sério e tomar ações rapidamente quando detecta violações desse tipo, que ferem as políticas de uso do serviço. A empresa não comentou a ação judicial diretamente nem falou de forma detalhada sobre as acusações da Ripple.

Fonte:  The Verge

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