Criptomoeda venezuelana valerá como segundo câmbio oficial do país

Por Felipe Demartini | 14 de Agosto de 2018 às 14h15

A Petro será, oficialmente, a segunda moeda vigente na Venezuela. O anúncio da oficialização da criptomoeda aconteceu nesta segunda-feira (13) em um pronunciamento do presidente Nicolás Maduro, que marcou para a próxima segunda (20) o início das operações oficiais da nova modalidade, juntamente com o Bolívar Soberano, que será ancorado ao dinheiro digital.

De acordo com o presidente venezuelano, as mudanças marcam uma alteração radical no sistema financeiro e monetário do país, de forma a torná-lo “produtivo, diversificado e sustentável”. Além disso, é mais uma alternativa para resgatar o país da grave crise econômica em que se encontra, atrelando a moeda a um dos principais produtos exportados pela Venezuela.

Prova disso é que, como o nome já indica, o Petro terá seu valor atrelado à cotação do barril de petróleo. Por sua vez, o Bolívar Soberano será ancorado à moeda digital, que passa a ser uma unidade contábil obrigatória para empresas estatais, principalmente a PDVSA (Petróleos da Venezuela), que lida com a principal categoria de exportação do país sulamericano.

De acordo com Maduro, os valores oficiais de funcionamento das moedas serão publicados na próxima segunda pelo Banco Central. Além da aplicação de uma criptomoeda no cotidiano dos cidadãos do país, a principal mudança está relacionada ao corte de cinco zeros no Bolívar Soberano em relação ao formato atual, o Bolívar Forte.

As novas cédulas têm aparência semelhante às atuais, que também continuarão valendo. Os cidadãos são convidados a trocarem as moedas antigas pelas novas, com cada 100 mil Bolívares Fortes valendo uma unidade de Bolívar Soberano. Além disso, em breve, o governo deve divulgar novas políticas salariais e outros indicadores que regularão a atividade econômica do país ao longo dos próximos anos.

A ancoragem do valor do dinheiro venezuelano ao petróleo também acompanhou outras medidas de regulação desse segmento, como forma de, principalmente, evitar o contrabando de combustível para outros países. Entre as mudanças anunciadas por Maduro, está um sistema de subsídio à gasolina e hidrocarbonetos, que passarão a ter preços iguais ao do mercado internacional.

Ainda, a adoção do Petro como a moeda oficial da PDVSA representa uma tentativa de burlar as sanções internacionais às negociações de petróleo entre países do mundo, facilitando a venda de petróleo e outros produtos por meio de transações com criptomoedas. Seriam, mais uma vez, medidas voltadas à recuperação econômica do país, que sofre com inflação altíssima e escassez de caixa.

Apesar de criticadoa por economistas e especialistas, principalmente, por não atacar os problemas econômicos do país de frente, o governo de Maduro se mostra confiante no sucesso da empreitada. Em fevereiro, a Venezuela anunciou que a pré-venda da Petro atingiu a marca de US$ 735 milhões arrecadados apenas em seus três primeiros dias de comercialização. No total, 100 milhões de ativos serão liberados como parte da oferta inicial da moeda, ancorada em 5,3 bilhões de barris de petróleo.

O funcionamento do sistema digital que permitirá as operações com a Petro será de responsabilidade de empresas venezuelanas e russas, que firmaram acordos de operação com o governo de Maduro. Além disso, sites oficiais foram colocados no ar para orientar empresas e pessoas físicas durante a transição e informar sobre os processos de compra e venda de moedas.

Fonte: The Next Web, Expresso

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