Criador do Big Brother não chega a acordo em processo contra o Facebook

Por Felipe Demartini | 10 de Setembro de 2019 às 16h48
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O bilionário holandês John de Mol afirmou ser impossível chegar a um acordo com o Facebook em um processo sobre o uso indevido de sua imagem. A ação foi aberta em junho e acusa a rede social de negligência ao não tomar as medidas cabíveis para retirar do ar anúncios que traziam sua foto ao lado de ofertas fraudulentas de investimentos em criptomoedas.

de Mol é um dos donos da Endemol, empresa global de mídia, e também o criador do formato Big Brother de reality shows. Na propaganda veiculada no Facebook, o executivo é citado como um dos apoiadores de uma plataforma de câmbio de bitcoins, além de ter sua imagem usada como forma de chancelar o investimento por meio da empresa. Um claro sinal de fraude, que poderia colocar dados e, principalmente, o dinheiro dos clientes em risco.

De acordo com o empresário, as negociações com o Facebook em busca de um acordo começaram assim que o processo foi aberto em Amsterdã, mas não chegaram a lugar nenhum. Em seu comunicado oficial, de Mol afirma que o Facebook foi solícito em conversar com seus advogados e representantes, mas que isso era apenas uma cortina de fumaça para ocultar o problema real: a negligência quanto às propagandas fraudulentas e a dificuldade em criar mecanismos que impeçam a veiculação de materiais desse tipo.

Criador do Big Brother e empresário, John de Mol teve imagem associada a golpes com Bitcoins no Facebook. Agora, ele quer compensação pelos danos causados (Imagem: Real Screen)

Em comunicado, o Facebook disse estar tomando todas as medidas cabíveis para retirar do ar não apenas os comerciais irregulares, mas também as contas responsáveis por sua publicação. Além disso, a empresa afirmou estar sempre evoluindo seus sistemas de moderação na medida em que os operadores desse tipo de golpe também modificam sua forma de atuação para escapar dos filtros impostos pela rede social.

Sobre o processo movido por de Mol, o comentário foi menos assertivo. O Facebook disse não comentar sobre ações judiciais em andamento, mas confirmou ter passado diversas semanas em contato com os representantes do bilionário em busca de uma solução amigável que não pôde ser encontrada.

Na ação, de Mol afirma que sua reputação de homem de negócios foi maculada pela exibição dos anúncios, enquanto a associação de sua imagem ao lado de um esquema com criptomoedas levou a uma fraude no valor de US$ 1,9 milhão. Além de exigir que o Facebook crie sistemas mais restritos para publicação de anúncios e aja rapidamente na moderação, o bilionário pede reparações financeiras, de valor não divulgado, devido às perdas causadas pela situação. Sem acordo, o caso deve seguir para julgamento no tribunal.

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