Cientista é condenado à prisão por minerar criptomoedas em usina nuclear

Por Felipe Demartini | 25 de Outubro de 2019 às 14h30

Três cientistas nucleares russos foram condenados a penas de prisão ou multas por utilizarem os sistemas de uma usina nuclear do país para minerar criptomoedas. O líder do esquema seria Andrei Rybkin, sentenciado a três anos de reclusão e a pagar uma multa equivalente a US$ 3,1 mil pela utilização ilegal de recursos da unidade entre maio e setembro de 2017.

O caso aconteceu no Centro Federal Nuclear de Sarov, uma das mais antigas centrais nucleares do país, construída ainda nos tempos da União Soviética. As informações, entretanto, são desencontradas quanto ao uso do supercomputador presente no local: enquanto reportagens da época da prisão de Rybkin e seus comparsas, em fevereiro, indicaram que a máquina foi utilizada para esse fim, relatos mais recentes da imprensa local afirmam que o trio utilizou computadores e redes de internet inutilizadas para realizarem a mineração.

Os trabalhos aconteciam sempre no turno da noite para evitar suspeitas. Entretanto, o que os três não contavam era com a presença de um sistema de detecção voltado, justamente, para flagrar a utilização da rede e da infraestrutura da usina nuclear para mineração de criptomoedas. Originalmente, a ideia era que o recursos funcionasse como uma forma de evitar intrusões hackers, mas acabou servindo, também, para indicar a atuação irregular dos três acusados.

Ao longo dos cinco meses de operação do esquema, os três teriam obtido lucros na casa dos US$ 15 mil, que foram divididos entre eles, com Rybkin permanecendo com a maior parte. Essa também não seria a primeira vez que o trio é acusado de usar sistemas da usina nuclear para minerar criptomoedas, apesar de o indiciamento e posterior sentença serem inéditos não apenas para eles, mas também para o sistema jurídico russo.

Um caso semelhante, entretanto, ocorreu em setembro de 2019 na Ucrânia, quando funcionários instalaram duas mineradoras de Bitcoins na rede interna de uma usina nuclear em Yuzhnoukrainsk, na região sul do país. Na ocasião, ninguém foi preso, mas o governo disse que indiciaria os responsáveis não apenas pelo ato em si, como também por crimes relacionados à segurança da instalação, já que os dispositivos poderiam abrir portas para invasões de hackers.

Fonte: Meduza

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