China pode banir mineração de criptomoedas para economizar energia

Por Felipe Demartini | 09 de Abril de 2019 às 15h46

O governo da China está estudando banir a mineração de criptomoedas por considerar a atividade um desperdício de recursos naturais. A proposta foi apresentada pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês) e ainda está em consulta pública até 7 de maio, de onde seguirá, na sequência, para outros braços da administração pública para mais discussões e eventual aprovação ou descarte.

Caso seja aprovada, entretanto, a norma deve representar um duro golpe sobre as criptomoedas em um país que não apenas vem lutando contra elas, mas que também concentra mais de 70% de toda a mineração realizada no mundo. Segundo a NDRC, a ideia seria classificar o ato como uma atividade econômica indesejada e, sendo assim, proibir sua realização em todo o território nacional.

A China se tornou uma verdadeira potência da mineração de criptomoedas devido ao baixo custo da energia elétrica, um dos menores do mundo, principalmente em regiões como Xinjiang e nas proximidades da fronteira com a Mongólia. Os territórios concentram algumas das principais minas de carvão do país, principal recurso natural chinês, e se tornaram destino preferencial para esse tipo de atividade.

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Entretanto, caso um banimento seja aprovado pelo governo, os responsáveis terão que interromper os trabalhos e migrar sua infraestrutura para países vizinhos. Seria um processo trabalhoso e caro, que também traria seu impacto sobre a cadeia global de criptomoedas, já que, como dito, boa parte da mineração realizada no mundo tem a China como origem.

Além disso, o impacto direto será sentido também por empresas cujo negócio é, justamente, a fabricação de equipamentos voltados para a mineração. Uma das principais empresas desse segmento, a Bitmain Technologies, é chinesa e corresponde a 75% das vendas globais de dispositivos dessa categoria, sendo a operadora também de grandes fazendas de geração e chegando até mesmo a visualizar a possibilidade de uma abertura de capital. Por mais que a consulta não fale em uma restrição à fabricação de máquinas assim, é claro que as companhias do ramo também sairão machucadas.

Outros componentes também usados no processo são processadores e placas de vídeo, com um possível banimento, também, possivelmente afetando os números de companhias como a Nvidia e a Taiwan Semiconductor. Nenhum dos envolvidos ou afetados em uma possível proibição, entretanto, se pronunciaram sobre o assunto. Nem mesmo o governo deu mais detalhes, uma vez que a proposta ainda se encontra em fase de consulta pública.

Mais do que uma medida pela economia de recursos naturais, uma proibição seria mais um golpe do país asiático contra a economia de criptomoedas. Outras restrições aplicadas pela China ao longo dos últimos dois anos incluem uma proibição de ICOs, as ofertas iniciais de moedas feitas por empresas como forma de buscar financiamento, e também da operação de câmbios das modalidades, que não podem mais funcionar no país nem trabalhar com cidadãos locais.

Fonte: South China Morning Post

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