"Arquiteto" da Etherum é preso acusado de extorsão em esquema milionário

Por Felipe Demartini | 20 de Setembro de 2019 às 11h33

Steven Nerayoff, que se autointitula como um dos “arquitetos” da criptomoeda Ethereum, foi preso nos Estados Unidos acusado de extorsão, em um esquema que teria movimentado dezenas de milhões de dólares a partir de ameaças a startups do setor. Ele foi indicado ao lado de Michael Hlady, com quem tem uma empresa de consultoria e investimento no segmento de criptomoedas.

A prisão aconteceu após ameaças feitas a uma empresa não divulgada, que estaria desenvolvendo um programa de fidelidade a clientes baseado em criptomoedas e blockchain. A startup de Seattle teria contratado a Maple Ventures, de propriedade dos dois, para um trabalho de aconselhamento. A mecânica era sempre a mesma: os especialistas cumpriam a parceria em troca de uma porcentagem do faturamento e dos tokens emitidos, mas, apenas dias antes do lançamento, exigiam mais e faziam ameaças de que poderiam derrubar todo o negócio instantaneamente

O caso que levou a dupla à prisão começou a se desenrolar em julho de 2017, com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos acreditando que mais extorsões a outras companhias também aconteceram no período. No caso da startup de Seattle, um dos pedidos foi de um aumento do total acordado originalmente, de 13 mil ethers, para 17 mil, um valor equivalente a US$ 8,75 milhões. Caso contrário, a empresa passaria por sério escrutínio por parte de reguladores e seria efetivamente destruída, nas palavras do consultor.

Stephen Nerayoff se autointitula um dos arquitetos da Ethereum. Ele foi preso por esquema de extorsão que teria movimentado milhões de dólares (Imagem: Reprodução/XTRD)

De forma a evitar problemas, os responsáveis pela companhia vítima concordaram em realizar o pagamento, mas teriam interrompido os negócios com a Maple Ventures. A extorsão, entretanto, teria recomeçado em março de 2018, quando uma estranha virada nos acontecimentos envolveu uma visita de uma das fundadoras da startup a uma casa pertencente a Nerayoff, onde ela passou a noite após ter um voo cancelado devido a condições climáticas.

O acusado teria invadido o quarto da executiva no meio da noite, juntamente com Hlady, e a ameaçado com o pedido de mais 10 mil ethers, cerca de US$ 2 milhões. Mais uma vez, a ameaça seria de destruição da startup por meio de especulação financeira e injeção de dúvidas e questionamentos junto à comunidade, que levariam à perda de credibilidade do negócio.

Dias mais tarde, novas mensagens ameaçadoras teriam sido recebidas pela cúpula da startup, com direito a menções sobre supostas relações de Hlady com o NSA e a CIA. Apesar de ele ser citado como participante de missões de assassinato a líderes de estado, nenhuma ameaça à integridade física das vítimas teria sido feita, com a ligação do acusado ao governo sendo usada como prova de que um pesado escrutínio cairia sobre a empresa caso ela não concordasse.

Os responsáveis pela startup teriam aceitado pagar a quantia pedida pela dupla, mas a transferência, em si, jamais aconteceu. Foi no ano passado, também, que os empreendedores resolveram procurar a Justiça, temendo por mais ameaças e pela integridade de um negócio que estava começando a decolar.

Nerayoff e Hlady foram soltos após pagarem fianças no valor de US$ 750 mil. Eles devem retornar ao tribunal para mais procedimentos relacionados ao caso e, se condenados, podem encarar penas de até 20 anos de prisão.

Fonte: The Next Web

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