Após quedas sucessivas, economistas voltam a falar em “bolha de criptomoedas”

Por Redação | 18 de Janeiro de 2018 às 10h19

Que o mercado das criptomoedas é altamente volátil, isso todo mundo sabe – ou deveria. Mas, com as quedas sucessivas observadas neste início de ano, com nomes como bitcoins, por exemplo, já tendo perdido mais de 40% do valor obtido durante a sequência de altas do final do ano passado, economistas começaram a acender as luzes vermelhas. E a palavra de ordem, no momento, é “bolha”.

Pelo menos, é esse o assunto abordado pelos especialistas da Capital Economics, uma empresa independente de pesquisa macroeconômica, que deixa claro: o mercado está prestes a estourar. Ainda não é motivo para pânico, apontam os economistas, uma vez que ainda há muito a cair antes que as moedas virtuais deixem de ser consideradas um bom investimento, mas elas estariam, irremediavelmente, nessa rota.

Após se aproximarem da casa dos US$ 20 mil no fim de 2017, as bitcoins, principal categoria desse mercado, passam por quedas sucessivas neste início de ano. Nesta semana, principalmente, temores em relação a banimentos e medidas restritivas a serem aplicadas em países da Ásia levaram a perdas de milhares de dólares enquanto investidores pareciam começar a pensar duas vezes antes de aplicarem nesse segmento.

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No momento em que esta reportagem é escrita a unidade da bitcoin vale US$ 11.588, operando em alta de 4% e mostrando sinais de recuperação em relação à bagunça desta quarta-feira (17), quando chegou a despencar e atingir uma marca abaixo dos míticos US$ 10 mil. Para a Capital Economics, entretanto, não existe tanto motivo assim para alívio.

O principal problema, que levou os economistas a falarem em bolha, está no fato de as baixas e altas de valor serem motivadas pelo fato de que apoiadores e investidores, simplesmente, acreditam que as criptomoedas têm grande potencial. Para eles, não existem estratégias de adoção ou visão do que vai acontecer no futuro em relação à tecnologia, apenas a crença de que ela vai ser grande. Notícias como as vindas da China e da Coreia do Sul nesta semana, então, têm grande impacto sobre essa noção.

Pessoas adquirem moedas simplesmente porque acreditam em sua valorização, enquanto governos correm atrás em uma tentativa de regular essa nova onda. São sinais claros, na visão dos especialistas, de uma bolha especulativa. E elas, invariavelmente, estouram em algum momento, apesar de, no caso das bitcoins, os reflexos esperados não serem tão grandes assim fora do escopo de quem realmente apostou ou investiu nelas.

Isso se deve ao fato de o montante de dinheiro colocado nas moedas ser baixo. Sendo assim, uma queda brusca no valor do criptodinheiro não deve ter muitos reflexos na economia global, principalmente pela notória ausência do envolvimento de instituições e governos na questão. Ninguém, espera a consultoria, vai quebrar caso esse mercado vá por água abaixo.

Por mais que as moedas virtuais venham a desaparecer algum dia, para a Capital Economics seu maior legado será a tecnologia de blockchain. Suas aplicações vão desde a descentralização de operações bancárias, uma iniciativa já em desenvolvimento, até validação de impostos, documentos e registros públicos. Testes desse tipo já estão em andamento e, para os especialistas, é aqui que reside o verdadeiro futuro.

Fonte: The Guardian

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