Halo 5: Guardians traz tudo aquilo que os fãs mais amam na série

Por Durval Ramos

Embora Halo já tenha aparecido no Xbox One com Master Chief Collection, é com Halo 5: Guardians que a série tem seu maior desafio. Como se não bastasse ter que lidar com toda a pressão de levar a franquia para um novo console, o game ainda precisa provar aos fãs que a saga mais icônica da Microsoft continua com a mesma qualidade de sempre. Esta não é a primeira vez que a 343 Industries trabalha com a saga, mas é certamente a mais importante delas. É sua prova de fogo.

Para isso, o estúdio apostou pesado naquilo que sempre foi a marca registrada da série: sua jogabilidade. As mecânicas de combate foram atualizadas, aproximando-se daquilo que temos em outros FPS presentes no mercado, mas sem perder a assinatura Halo. Além disso, a produtora fez pequenas melhorias nos próprios recursos que os Spartan têm à sua disposição, o que ajuda a tornar tudo ainda mais dinâmico.

Isso fica claro tanto na movimentação mais ágil do personagem, graças ao sistema de boost adicionado à sua armadura, quanto na própria hora de atirar em seus inimigos. É a primeira vez que temos em Halo a possibilidade de usar o gatilho esquerdo do controle para aproximar a mira. Muitos fãs da série nunca sentiram falta desse recurso, mas esse é um detalhe que faz toda a diferença principalmente na hora de atrair novos jogadores.

Halo 5: Guardians

Dois heróis

Ao longo de toda a divulgação de Halo 5: Guardians, a Microsoft se empenhou em mostrar que as coisas seriam um pouco diferentes por aqui. Ao invés de concentrar apenas em Master Chief, o game expande o universo ao nos apresentar um novo protagonista: Agent Locke. A ideia é claramente introduzir novos pontos de vistas e abrir possibilidades para jogos focados em outros nomes além do icônico Spartan 117.

Tanto que, ao longo da campanha, Chief pode ser controlado em apenas alguns poucos momentos, deixando que Locke ocupe boa parte da história em sua caçada ao herói. Isso não chega a ser nenhum problema, já que ambos são idênticos em termos de jogabilidade e a única diferença mais significativa está na falta de carisma do novo personagem.

A trama é consequência direta daquilo que vimos anteriormente em Halo 4 e é daí que nasce o conflito entre Master Chief e o Agent Locke. Após os eventos do game anterior, o Spartan 117 e a Equipe Azul partem em uma jornada pessoal — e clandestina —, o que faz com que eles precisem ser caçados pela galáxia pelo Fireteam Osíris. É uma proposta que realmente intriga os fãs por apresentar novas facetas de velhos conhecidos, mas que tropeça em seu próprio desenvolvimento.

Halo 5: Guardians

Ainda que a caçada a Master Chief seja a grande motivação por trás do game, ela é muito pouco explorada e sua própria resolução deixa muito a desejar. Todo aquele clima tenso que os comerciais e trailers nos venderam fica restrito ao material de divulgação, já que a interação entre os protagonistas é bem pouca e longe do clima épico que nos foi prometido.

Isso não quer dizer que a campanha é descartável, uma vez que ela possui seus grandes momentos, sobretudo quando você passa a entender o que está acontecendo e qual a real ameaça por trás de tudo. Para quem acompanha a saga há mais tempo, certamente vai se animar e surpreender com várias revelações. Porém, essas cenas são bem pontuais e grande parte da jornada do próprio Locke é completada com questões alheias a isso, o que deixa as coisas menos interessantes.

Tecnicamente impecável

Seja na campanha ou no multiplayer, não há como não se impressionar com aquilo que Halo 5: Guardians oferece em termos técnicos. Desde a primeira cena do jogo até os tiroteios online, tudo é muito bonito e mostra bem o que o Xbox One é capaz de oferecer. E o melhor de tudo é que isso é feito da maneira mais estável possível.

Halo 5: Guardians

A 343 Industries se empenhou em fazer com que o game rodasse a 60 quadros por segundo fixos em todos os momentos e isso faz toda a diferença no dinamismo e na fluidez dos combates. Como Halo sempre foi um jogo muito ágil, o cuidado com o frame rate faz com que essa característica fique ainda mais destacada — e para melhor.

Para isso, a resolução teve de ser levemente comprometida, trazendo valores variáveis de acordo com a situação. No entanto, isso é algo que mal é percebido e mostra que a decisão do estúdio em valorizar os 60 fps ao invés do 1080p foi algo acertado — ainda que muita gente goste de reclamar de jogos que não são em Full HD.

Além disso, em termos gráficos e artísticos, Halo 5: Guardians dá outro espetáculo. Ele é muito bonito e enche os olhos logo nas primeiras cenas. Todas as cutscenes realmente dão a impressão de que estamos diante de um filme, mas isso não compromete o bom trabalho feito na hora do jogo em si. A iluminação nos cenários internos é algo que merece destaque, assim como a imensidão dos ambientes externos. O planeta Genesis, por exemplo, é de encher os olhos.

Foco na essência

Porém, não estaríamos falando de Halo se não tivéssemos um modo multiplayer de respeito. E, em Guardians, a 343 Industries apostou todas as suas fichas em maneiras de expandir essa experiência de diferentes formas.

Halo 5: Guardians

A valorização do online fica claro já na própria campanha, onde você pode se aliar a mais três jogadores para compor sua equipe. Esse trabalho em conjunto é opcional, mas faz muita diferença na jogabilidade não apenas porque a inteligência artificial de seus companheiros é bastante limitada — prepare-se para sofrer quando depender de uma carona deles, por exemplo —, mas porque ter pessoas de verdade ao seu lado também aumenta o desafio, além das oportunidades táticas que isso oferece.

Mas a verdadeira estrela de Halo 5: Guardians são os outros modos, com destaque para o Zona de Guerra. Com ele, o game ganha novas proporções ao colocar 24 jogadores em um único mapa com a simples missão de sobreviver, seja do ataque da equipe rival ou de ameaças externas, como Covenants ou Forerunners. Isso traz uma variedade bem maior e novas possibilidades de interação. Não está afim de trocar tiros com outras pessoas? Tudo bem, pois você pode sair à caça desses outros inimigos.

O único problema desse novo modo é a dificuldade de encontrar partidas. Como ele exige um mínimo de 18 pessoas para iniciar a sala, é muito provável que você passe um bom tempo olhando a tela do lobby torcendo para que o matchmaking funcione como prometido — o que nem sempre acontece.

Por outro lado, o Arena já funciona como uma espécie de roleta de modalidades mais clássicas. A cada nova rodada, ele estabelece novas regras, seja criando uma partida de Assassinato — o bom e velho mata-mata em equipe — ou com o SWAT, em que apenas as mortes com headshot são consideradas válidas. Ao tornar tudo imprevisível, o jogo ganha um tempero todo especial.

Halo 5: Guardians

É claro que você pode filtrar esses modos e ficar só naquele que você melhor se encaixa, assim como adicionar modificadores para dificultar a vida de todos os competidores.

Além disso, Halo 5: Guardians conta com o chamado sistema REQ, que funciona como uma espécie de bonificação com base no seu desempenho. A cada partida, seu Spartan acumula pontos e pode usá-los para comprar pacotes de cartas que oferecem várias outras vantagens. Em cada compra, você pode encontrar novas armas — algumas bem raras, inclusive —, habilidades, veículos e até opções para personalizar seu personagem.

Em outras palavras, o jogo se sustenta sobretudo naquilo que os fãs mais gostam em toda a série. A 343 conseguiu dar uma cara nova ao multiplayer ao mesmo tempo em que mantém muitas de suas características clássicas, como o design dos mapas. As novidades na jogabilidade citadas anteriormente, por exemplo, mexem na dinâmica geral dos confrontos, mas sem descaracterizar aquilo que todos já conhecem e amam.

Entre erros e acertos

No fim das contas, Halo 5: Guardians acerta muito mais do que erra. Por mais que a trama não empolgue tanto quanto se esperava, ela consegue dar uma boa continuidade àquilo que foi iniciado no game anterior e serve muito mais como um gancho para o fim desta nova trilogia do que como algo mais marcante para a estreia da saga na nova geração. Ele é basicamente um grande interlúdio e, por isso, não se preocupa tanto em fechar as pontas que ficaram soltas — por mais frustrante que isso seja em alguns momentos.

HALO 4

E se o Agent Locke não consegue ser tão interessante quanto o velho Master Chief, o novo jogo compensa essa quebra de expectativa da campanha com um excelente modo online. Ainda que o modo Zona de Guerra ainda esteja tropeçando no matchmaking, ele continua sendo a grande novidade do game e expande muito bem aquilo que a série construiu até então ao mesmo tempo em que atualiza pequenos elementos na mecânica. Ele agrada aos velhos fãs ao mesmo tempo em que oferece maneiras de conquistar novos jogadores.

Com isso, Halo 5: Guardians consegue ser uma estreia de respeito para a franquia na nova geração. Mesmo com seu protagonista sendo ofuscado na campanha, o modo online brilha mais forte e mostra por que Halo ainda é sinônimo de multiplayer e o símbolo máximo da Microsoft.

Os donos do Xbox One já podem sorrir à vontade.

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