Apple PipPin foi a investida fracassada da Maçã na indústria dos videogames

Por Redação | 29 de Agosto de 2017 às 08h33

Responsável por revolucionar a indústria dos smartphones e também a forma como consumimos e ouvimos música, graças ao iPhone e ao iPad, a Apple também tentou entrar no universo dos videogames, mas enfrentou um enorme fracasso. Em 1996, a Maçã lançou no Japão e nos Estados Unidos um console chamado Apple PipPin, e seu preço salgado foi um dos primeiros motivos para a tragédia.

O aparelho chegou custando US$ 599, valor muito superior ao que era cobrado pelo PlayStation 1, Sega Saturn e Nintendo 64 na ocasião de seus lançamentos. Além disso, um catálogo com pouquíssimos jogos não atraiu a atenção do público, e o console era baseado na segunda geração dos Power Macintosh com um processador Power PC 603 de 66 MHz, drive de CD com quatro velocidades, modem de internet embutido e sem nenhum tipo de trava regional — coisa que não é padrão em consoles até os dias atuais.

Na verdade, a companhia de Cupertino não pretendia lançar o PipPin por conta própria. O console foi licenciado para a Bandai, e mais tarde a Katz Media também começou a produzi-lo. Foram fabricadas aproximadamente 100 mil unidades do aparelho, que registrou um total de 42 mil vendas. Em maio de 2006, o console foi colocado na 22ª posição na lista dos “piores produtos de todos os tempos”, elaborada pela PC World Magazine.

Como era o PipPin por dentro

Seu hardware era composto pelo processador mencionado acima, além de 5 MB de memória RAM para o sistema e vídeo, armazenamento acessível de 128 Kb, com possibilidade de expansão com cartões de 2 a 16 MB, leitor de CR-ROM de quatro velocidades, duas portas seriais de alta velocidade, slot de expansão compatível com PCI e duas entradas “AppleJack” com acabamento emborrachado.

Quanto a parte audiovisual, o console suportava vídeos em 8 e 16 bits, com suporte para monitores NTSC e PAL, além de S-Video e VGA, saída e entrada de áudio Stereo de 16-bit 44 kHz, saída de fones de ouvido e compatibilidade com CDs de áudio.

Já o software do PipPin era incluso nos CDs, e as produtoras ficavam livres de se preocupar com questões quanto à compatibilidade com o sistema operacional do console. Ele suportava até quatro jogadores simultâneos graças ao Apple Desktop Bus (ADB), e, em sua caixa, vinha o console, um controle, alguns discos com demos e drivers, adaptador de modem e cabos de áudio, vídeo e força.

Fracasso total

Apesar de não ser exatamente um console ruim, o fracasso do PipPin também se deu por conta de uma péssima estratégia de marketing, que ficou sob responsabilidade da Bandai, que já tinha experiência no ramo dos jogos eletrônicos graças ao recém-lançado Playdia.

Com o PipPin, a Apple pretendia inicialmente lançar um “computador multimídia” mais barato do que seus computadores, com ares de videogame. No entanto, a concorrência esmagou qualquer possibilidade de o videogame da Maçã dar certo no mercado da época, mesmo sendo mais fracos tecnologicamente falando.

O Apple PipPin foi descontinuado em 1997 assim que Steve Jobs retomou à chefia da companhia, mas a Bandai seguiu oferecendo suporte para seus usuários até 2002. O console recebeu somente 18 jogos nos EUA e cerca de 80 no Japão, como Super Marathon, Power Rangers Zeo Vs. The Machine Empire e Racing Days. Pelo fato de o console ser praticamente um computador, todos os seus jogos eram compatíveis com os Mac da época, então podemos entender, ainda, por que muitos usuários Mac da década de 1990 possam ter preferido simplesmente comprar os jogos de maneira avulsa, sem adquirir o console para poder jogar.

Fonte: Games and Cigarrettes

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