Desenvolvedores comentam fim da obrigatoriedade do Kinect no Xbox One

Por Redação | 16.05.2014 às 12:21 - atualizado em 17.05.2014 às 00:19
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A notícia de que a Microsoft começará a vender o Xbox One sem Kinect pode ter agradado muita gente. Afinal, alguns usuários acham o sensor de movimentos um tanto dispensável se for levar em consideração que existem poucos jogos que o utilizam. No entanto, a não-obrigatoriedade do sensor caiu como um balde de água fria em vários desenvolvedores, que não se mostraram favoráveis às mudanças.

As produtoras que menos gostaram da nova versão do console foram justamente aquelas que trabalhavam em títulos voltados para o periférico de voz e gestos. Em entrevista ao site Develop, Paul Mottram, chefe da Zoë Mode, que é responsável pela série Zumba Fitness SingStar, diz que entende a necessidade da companhia em competir com o preço do PlayStation 4, mas que agora que o Kinect não é mais um item obrigatório, ambas plataformas são praticamente iguais.

"O Kinect ajudou a diferenciar os aparelhos, o que só pode ser algo bom. Do ponto de vista do desenvolvedor é uma pena, pois isso mata as chances de fazermos um título original para o acessório sem que o game seja um produto licenciado de fitness ou dança. E mesmo esses [jogos] sofrerão, já que agora é pouco provável que vejamos o Kinect 2 chegar perto da base instalada do original. Mesmo antes já era um desafio", comenta o executivo.

Mottram ainda lamenta a situação por todos os estúdios que estavam desenvolvendo games voltados para o Kinect, pois acredita que dificilmente os investimentos feitos pelas empresas em títulos do acessório darão o retorno esperado agora que ele não é mais exigido no console. "Eu ainda espero ver um título matador para o Kinect que vai mudar a mente de quem ainda tem dúvidas em adquirir o periférico e também espero que o programa ID@Xbox ajude a fazer isso acontecer", explica.

O executivo da Zoë Mode não foi o único a reprovar as mudanças no Xbox One. Os criadores de Fantasia: Music Evolved, da Harmonix, soltaram comentários sarcásticos e cheios de ironias em seus perfis no Twitter, criticando duramente a decisão da Microsoft. Mesmo assim, a produtora emitiu uma nota em resposta ao anúncio dizendo estar empolgada com a possibilidade dos consumidores terem mais opções de escolha. Segundo o site VG24/7, na visão da Harmonix, o uso obrigatório do Kinect ajudará a companhia a apostar em inovação e projetos que tragam algo realmente único ao jogador através do acessório.

O outro lado da moeda

Outros desenvolvedores comemoraram as mudanças feitas pela Microsoft e usaram suas contas na rede de microblogs para comentar a situação. Nick Chester, também da Harmonix, acredita que a decisão serve de estímulo para os profissionais que trabalham com o Kinect se esforçarem ainda mais em termos de inovação e novos produtos. Na opinião do executivo, as empresas se sentirão desafiadas a criar algo expecional para o gadget.

George Broussard (Duke Nukem) disse que o "Kinect sempre foi um pedaço de m****" e se mostrou surpreso pela decisão da Microsoft em vender o Xbox One sem o periférico. Ben Cousins (Battlefield F2P, The Drowning) acredita que a empresa finalmente percebeu que o preço do One com Kinect é um fator decisivo para o sucesso do produto.

Rami Ismalli (Ridiculous Fishing, Luftrausers) se mostrou entusiasmado com a novidade, mas afirmou que, se a Microsoft está determinada em copiar a Sony, ela deveria ter um posicionamento diferente com relação aos jogos independentes, ou seja, lidar da mesma forma com estúdios pequenos ou grandes.

Houve ainda quem fizesse piada com as mudanças no Xbox One, como é o caso de Dan Marshall (Time, Gentleman Please!). "Bom trabalho, todo mundo. Agora vamos REALMENTE zoar com eles e exigir que eles tornem o Kinect obrigatório novamente #BringBackKinect #Kinect4Life", brincou na rede social.

O novo Xbox One custará US$ 399 nos Estados Unidos, mesmo preço do principal concorrente, o PlayStation 4, e começa a ser vendido a partir do dia 9 de junho. Apesar de ainda não ter uma data específica de lançamento, aqui no Brasil o console chegará por R$ 1.999, R$ 300 a menos que a versão que inclui o Kinect e 50% mais barato que o PS4, vendido atualmente por R$ 3.999.