Sistemas legados em Cloud: você pode estar fazendo errado

Por Colaborador externo | 10 de Junho de 2015 às 16h00

Por Antonio Carlos Pina*

Começo este artigo com uma história REAL e que penso ser mesma para muitas outras companhias. A EMPRESA S/A possui um sistema de gestão que vende para seus clientes e que desde sempre é instalado em servidores físicos nos escritórios deles (chamamos “on-premises”). A empresa vem crescendo, vendendo mais. É bem-sucedida, mas subitamente esbarra em uma limitação: muitas vezes o cliente fecha o contrato e demora para adquirir os servidores para a ativação de seu software. Fica a situação desagradável do cliente vendido, porém não instalado e, portanto, não gerando receita para a EMPRESA S/A. Fora o fato de ser um cliente vulnerável, pois ele pode anular o contrato e passar a usar o software do concorrente!

Imagino que a EMPRESA S/A poderia considerar algumas alternativas mais óbvias, como ela mesma prover o servidor (“hardware”) para o cliente, mas esbarraria na dificuldade de manutenção e no investimento em capex que precisaria ser realizado. Ela acabaria tendo de dar manutenção remota em casos de paradas de HDs, sobreaquecimentos, falhas de memória etc. Afinal, mesmo a vendedora do hardware, seja qual for, só atuaria após uma pré-análise realizada pela EMPRESA S/A.

Neste nosso exemplo REAL, a EMPRESA S/A concluiu acertadamente que a melhor solução seria fornecer o produto como SaaS (“software-as-a-service”) em cloud, mas com essa decisão um novo impasse se forma - seria melhor reescrever o software, para “cloudificá-lo”? Essa possibilidade traz dois empecilhos:

1) Decidir para qual cloud escrevê-lo (existem diversos modelos de API com serviços diferentes e “casar” com uma nuvem é ficar refém dela.

2) O tempo e investimento que isso levaria quando na verdade, para o cliente, não faz diferença nenhuma usar a tecnologia “a”, “b” ou “c”. E há clientes vendidos esperando para serem ativados.

É neste preciso modelo de negócio que a virtualização de desktops (“VDI”, na sigla em inglês) traz um grande valor. A tecnologia antigamente complexa, com softwares caros e dependente de links de Internet dedicados, hoje pode ser usada por uma fração do custo em redes ADSL ou cable-modem. Sua única exigência é a baixa latência, que se consegue facilmente com hospedagem no Brasil (deve-se evitar hospedagens internacionais nesse modelo a todo custo).

Ao executar o software localmente no cloud e apenas trafegar a tela (comprimida) e os comandos de mouse e/ou teclado, garante-se excepcional estabilidade e performance, comparáveis ao acesso local, já que mesmo a perda de comunicação com o cloud por possíveis falhas de link ou banda não afetam a execução do software, evitando assim corrupções de dados e outras falhas. E há muitas outras vantagens indiretas como, por exemplo, segurança aprimorada e privilégios de acesso. Computadores e servidores locais podem ser acessados e terem suas seguranças comprometidas (portas USB, reboots, dual-boots, clonagens de HD para pirataria etc.). Na nuvem, exportando apenas tela e teclado, o acesso não autorizado ao servidor se torna muito mais complexo, ou quase impossível.

Vemos várias empresas que já percebem as vantagens do cloud falharem no projeto quando colocam seus sistemas legados em nuvem, usando acesso à internet e esperando performance equivalente ao acesso local. Isso até funciona muito bem com sistemas já 100% Web, mas nos casos de sistemas cliente-servidor ou monolíticos, a abordagem VDI salvará muito tempo e investimento, até mesmo para garantir as ativações dos clientes (leia-se “receita”) enquanto se reescreve o software.

Caso você tenha tentado cloud com sua aplicação e não tenha tido bons resultados, conheça a tecnologia VDI e faça um teste. Você não vai se arrepender!

* Antonio Carlos Pina é CTO da Mandic Cloud Solutions

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