Pequenos provedores usam OpenStack para enfrentar gigantes da nuvem na Europa

Por Rafael Romer | 26 de Abril de 2016 às 08h40
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

De Austin, Texas*

Quando o projeto OpenStack foi anunciado pela primeira vez, em 2010, um dos objetivos centrais da inciativa era encorajar o desenvolvimento de padrões abertos e interoperáveis de computação em nuvem. A ideia é que isso não só estimulasse a adoção de cloud no mundo, movendo toda a indústria para frente, mas que, de quebra, criasse uma alternativa para evitar uma ameaça que preocupa quase qualquer empresa: ficar presa a um único fornecedor privado de infraestrutura.

Quatro pequenos fornecedores de serviços de nuvem (CSPs) europeus comprovaram recentemente esse potencial do OpenStack, unindo-se para bater de frente com grandes vendedores proprietários de cloud como Verizon, Accenture, ATOS, IBM e AWS em uma disputa pela renovação da infraestrutura de TI das 52 agências da União Europeia.

O processo teve início em janeiro de 2015, quando a União Europeia abriu a licitação no valor de € 34 milhões para receber propostas de provedores para três lotes de serviços, voltados para um contrato de nuvem privada, um de nuvem pública e um de plataforma como serviço (PaaS).

Com os lotes, a organização supranacional europeia tinha dois objetivos principais: primeiro, migrar todos os workloads existentes em data centers espalhados pelo mundo para a nuvem; além disso, a ideia era usar a nuvem para criar uma estratégia de inovação para enfrentar novos desafios tecnológicos.

As propostas também deveriam levar em consideração algumas questões-chave, como a necessidade de um sistema de pay-per-use, respeito às leis de proteção de dados da União, baixo custo energético, possibilidade de auditoria de dados e a portabilidade do serviço para outros provedores.

Frente a competição dos grandes players globais pelos lotes, as CSPs Cloudsuite (agora Enter.it, da Itália), Numergy (França), Meo Cloud (Portugal) e Gigas (Espanha), resolveram que a melhor forma de tentar conquistar um espaço no projeto seria através da formatação de uma federação, que foi apelidada de Cloud Team Alliance.

"Nós decidimos que para estarmos prontos para enfrentar os grandes players, precisávamos estar juntos para ter mais peso", explicou Mariano Cunietti, CTO da Enter.it. "A Europa é uma comunidade de países, com diferentes culturas e tradições, mas com crenças e valores semelhantes. Então seria importante montar uma aliança para estar pronta para isso".

OpenStack EU

Para CTO da Enter.it, união de pequenos provedores é "obrigatória" para enfrentar players globais em nuvem (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Unindo os quatro players, a oferta da aliança estava 80% alinhada com o as requisições da União Europeia. Além disso, outro fator em comum do grupo deu uma vantagem essencial na disputa: por estar baseada em open source e sem a necessidade de pagar licenças de software, a aliança conseguiu derrubar o custo de entrega da infraestrutura a níveis "anormais", segundo a própria União Europeia - o que garantiu uma das vagas na licitação.

"Nenhum dos competidores usava código aberto e, especialmente nas questões de segurança, eles ficaram tranquilos que poderiam ver código sem nenhuma obscuridade", comentou Cunietti. "Outra questão é que, conosco, a portabilidade estava garantida. Uma vez que você começa a usar APIs da Amazon, por exemplo, você pode escolher outra região da Amazon, mas não outro provedor Amazon".

Agora, a aliança entra em um novo período de competição com as quatro outras ganhadoras da licitação, e deverá ir bater "de porta-em-porta" em cada um dos 52 órgãos da União Europeia para a venda dos serviços de nuvem. "Sempre que uma agência tiver uma demanda, poderá publicar para esses cinco provedores, e o melhor vencerá", completou.

*O repórter viajou a convite da OpenStack Foundation

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