JEDI: Juiz suspende contestação da Amazon em processo de licitação do Pentágono

Por Rui Maciel | 20 de Abril de 2020 às 15h00
Tudo sobre

Amazon

Saiba tudo sobre Amazon

Ver mais

A Justiça dos EUA suspendeu a contestação da Amazon sobre o resultado do Projeto JEDI (Joint Enterprise Defense Infrastructure), em que a divisão de cloud computing da empresa, a Amazon Web Services (AWS) perdeu uma licitação para a Microsoft. Com isso, a criadora do Windows passaria a fornecer serviços de nuvem para o Pentágono por 10 anos, em um contrato de US$ 10 bilhões.

A suspensão foi concedida pela juiza Patricia E. Campbell-Smith, a pedido do Pentáagono. Com isso, estão suspensas futuras novas ações no processo, para permitir que os militares reconsiderem aspectos da decisão contestada pela AWS que, a princípio, era considerada a favorita para vencer a licitação. Ela ordenou que o caso permanecesse em espera até o 17 de agosto, mas afirmou que o "stand by" poderia ser prorrogado ou abreviado, dependendo da duração da revisão.

O projeto JEDI tem o objetivo de oferecer aos Pentágono melhor acesso a dados e tecnologias de cloud computing a partir de locais remotos. A Microsoft recebeu o contrato em 25 de outubro do ano passado.

Ingerência política

No processo movido pela AWS em novembro do ano passado, a empresa afirma que a decisão do Departamento de Defesa dos EUA estava cheia de "erros flagrantes", resultado de "pressão imprópria do presidente Donald Trump, que lançou repetidos ataques públicos e nos bastidores" para fazer com que a licitação não fosse vencida pela companhia e "para prejudicar seu inimigo político declarado", Jeff Bezos, co-fundador e CEO da Amazon. Bezos também é dono do jornal The Washington Post, cuja cobertura é crítica a Trump.

No último dia 07 de março, Campbell-Smith divulgou uma opinião segundo a qual a Amazon, provavelmente, teria êxito em um argumento-chave de sua contestação. Segundo ela, “há méritos no argumento [da Amazon] de que o Departamento de Defesa avaliou indevidamente” o armazenamento de dados [ na nuvem] da Microsoft em um cenário de preço. Ela disse ainda que a Amazon provavelmente mostrará que o cenário da Microsoft não era "tecnicamente viável", como avaliou o Pentágono. No entanto, a opinião da magistrada não mencionou Trump, nem abordou as alegações de influência imprópria do mandatário norte-americano em prejuízo da AWS.

O Pentágono havia dito que reconsideraria sua avaliação dos aspectos técnicos do cenário citado pela juíza, se ela enviasse o contrato de volta às Forças Armadas para posterior revisão. O Pentágono acrescentou que isso daria a "oportunidade de reconsiderar a decisão do vencedor em relação às alegações (da Amazon)".

Mark Esper, secretário de Defesa dos EUA, rejeitou o viés técnico ou de influência política e disse que o Pentágono fez sua escolha de maneira justa e livre, sem influência externa.

Já o Escritório de Inspetoria Geral do Pentágono afirmou na última quarta-feira (15) que não pode determinar se a Casa Branca influenciou o resultado da licitação, mesmo depois que altos funcionários do Departamento de Defesa afirmaram haver um "privilégio presidencial nas comunicações".

Fonte: Reuters  

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.