Google vê multicloud como possibilidade para expansão de nuvem no Brasil

Por Rafael Romer | 14 de Novembro de 2016 às 14h18

A tendência do multicloud, em que empresas adotam ambientes de nuvem de diferentes fornecedores para distribuir aplicações e workloads, já é uma alternativa de expansão de negócios para o Google no Brasil, enxergam representantes da divisão de nuvem da companhia.

O Google foi uma das primeiras organizações a explorar o uso de contêineres para a migração de workloads entre diferentes ambientes de cloud pública e privada, através do desenvolvimento interno de projetos de contêineres e de orquestração de contêineres - como Kubernetes. Desde então, partes destes projetos tiveram seus códigos abertos e lançados para a comunidade de desenvolvedores, mas a expertise da empresa com a aplicação da tecnologia se manteve.

A companhia tem agora alavancado esse know-how para buscar empresas brasileiras interessadas em dividir seus ativos entre múltiplas nuvens, seja para aproveitar as diferentes ofertas de nuvem de cada player ou para evitar o temido lock-in e se tornar "refém" de um único fornecedor.

"Eu já tenho clientes que estão nos procurando e querendo entender como fazer", comentou Michel Pereira, engenheiro de soluções do Google Cloud. "É como ir para a nuvem: eles sabem que vão ter que fazer multicloud, mas estão precisando de ajuda para saber como fazer e nos procurando para montar a arquitetura".

Entre os primeiros clientes implementando a estratégia de nuvens múltiplas está um grande representante nacional do setor de e-commerce e varejo físico, que buscou o Google por temer um lock-in de sua estratégia de nuvem. Mais detalhes ou o número total de clientes multicloud da empresa por aqui não foram revelados, no entanto.

A partir do ano que vem, o Brasil pode se tornar um novo negócio estratégico em cloud para o Google, com a abertura prevista de uma nova região de sua infraestrutura de nuvem em São Paulo, como parte de uma expansão que incluirá oito novas regiões do Google Cloud ao redor do mundo, totalizando 14 regiões.

A expansão do serviço faz parte da estratégia da companhia de tentar fortalecer sua infraestrutura contra as concorrentes Amazon Web Services (AWS) e Microsoft (Azure), que disponibilizam hoje mais opções de geografias para clientes.

Até 2020, o Google espera que a sua receita com nuvem ultrapasse a receita de anúncios e, só no ano passado, investiu cerca de US$ 9,9 bilhões em infraestrutura para suportar o crescimento desejado.

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