Google lança chip de segurança para avançar no mercado de serviço na nuvem

Por Redação | 23 de Agosto de 2017 às 14h55

O Google começa a preparar os detalhes técnicos do  seu novo chip Titan, que deverá ser divulgado nesta quinta-feira (24). O hardware é um recurso de segurança elaborado para sua rede de computação em nuvem, com o objetivo de avançar no mercado dominado pelos concorrentes Amazon e Microsoft.

O Titan é do tamanho de um pequeno brinco que o Google instala em cada um dos servidores e placas de rede que ocupam seus centros de dados dedicados a alimentar seus serviços de nuvem.

Com esse chip de segurança, o Google espera avançar sobre o mercado mundial de computação em nuvem, manobra que o Gartner, instituto de consultoria de tecnologia, prevê que valha em torno de US$ 50 bilhões.

Hackers preocupam

O Titan verifica o hardware para garantir que não tenha sido adulterado, segundo Neal Mueller, chefe de marketing de produtos de infraestrutura para o Google Cloud Platform. Se alguma coisa estiver alterada, o chip impedirá que a máquina seja iniciada.

Um dos motivos que levaram ao desenvolvimento do Titan é a preocupação de operadores de centro de dados. Cibercriminosos e hackers têm condições de invadir os servidores a partir da montagem, feita, principalmente, por empresas de hardware na Ásia, ou seja, antes mesmo de chegar aos Estados Unidos.

"Isso nos permite manter um nível de compreensão em nossa cadeia de suprimentos que, de outra forma, não teríamos", disse Mueller em entrevista recente.

Os concorrentes diretos, Amazon e Microsoft, não afirmam se têm uma tecnologia com características semelhentas ao Titan. As duas empresas listam métodos como criptografia, entre outras medidas, para proteger seus centros de dados.

Amazon e Microsoft dominam

O Google quer crescer no mercado mundial de nuvem. Hoje, segundo o Synergy Research Group, a Amazon tem 41% de participação, seguida pela Microsoft, com 13%, e Google, com 7%.

De acordo com análise feita pelo Gartner, o Google tem lutado para competir com o Amazon Web Services, que tem mais recursos, e a Microsoft, que tem relacionamentos de longa data com as empresas. A avaliação é que a segurança é uma marca registrada dos concorrentes e o Google tem muito trabalho a ser feito até atingir a qualidade exigida pelo mercado.

O Titan, que foi anunciado em março, faz parte da estratégia do Google para diferenciar seus serviços e atrair clientes empresariais de setores com regulamentos complexos, como os de instituições financeiras e o campo médico.

"Ter garantias físicas é o começo de um longo caminho para contar a história de quão sério o Google leva a segurança das pessoas", disse Kim Forrest, vice-presidente do Fort Pitt Capital Group, firma de investimento com sede na Pensilvânia (EUA).

O Google usa o Titan para proteger os servidores que executam seus próprios serviços, como o motor de buscas, Gmail e YouTube. A empresa se mostra otimista e diz que o chip já está dando resultado. Pelo menos um cliente já foi conquistado por causa da nova tecnologia: a Metamarkets, empresa de análise em tempo real.

Dan Cornell, diretor do Denim Group, empresa que ajuda as organizações de tecnologia a construir sistemas seguros, disse que o aumento de hackers torna esse recurso oportuno. "Esse tipo de adversário certamente tem um incentivo para hackear ou ter influência sobre a segurança do hardware. Por isso, é interessante para o Google dizer: 'Aqui está uma parte do hardware que vamos controlar'."

Fonte: Reuters