Datto Drive: modelo de cobrança alternativo para competir com o Dropbox

Por Redação | 03 de Maio de 2016 às 09h00

Quando se trata de armazenamento em nuvem, o que há é um mercado relativamente saturado em que marcas como Box e Dropbox se mantêm um tanto quanto isoladas como uma espécie de sinônimo desse tipo de serviço. Entretanto, a Datto não quer simplesmente engrossar o atual ecossistema. Trata-se, antes, de oferecer espaço gratuito e um modelo alternativo de cobranças, voltando os olhos para setores relativamente desatendidos.

Para o diretor executivo da companhia, Austin McChord, a cobrança por usuário efetuada por provedoras de espaço em nuvem acaba tornando inviável a utilização do serviço por empresas de médio e pequeno porte. “Nós tentemos a enxergar a sincronia e o armazenamento de dados como uma commodity, mas os preços acabam por excluir diversos players menores do mercado”, disse McChord em entrevista ao periódico Forbes.

A resposta, portanto, deve ser o novo Datto Drive. Anunciado pela companhia no domingo (01), o serviço abandona as taxas por número de usuários para, eventualmente, cobrar US$ 10 por cada terabyte de dado utilizado durante um mês – de forma que o espaço pode ser utilizado livremente por qualquer número de funcionários. Isso depois que a Datto conceder o serviço de forma absolutamente gratuita durante um ano para um milhão de clientes.

Datto

Popularidade onerosa

Tipicamente, empresas como Box e Dropbox cobram US$ 15 por cada empregado com acesso ao espaço de armazenamento por mês. Conforme colocou a Datto, esse modelo acaba pesando nas costas de pequenas e médias empresas conforme o serviço se torna cada vez mais popular – e, portanto, mais utilizado.

Embora a cobrança por volume de dados – após o ano inicial de prodigalidade – possa soar como algo arriscado, o portfólio da Datto mostra que McChord sabe por onde conduzir seu negócio. Afinal, não se trata de uma startup que ensaia seus primeiros passos, mas de uma companhia com dezenas de milhares de clientes, atualmente valendo mais de US$ 1 bilhão.

Conforme colocou McChord ao referido site, a receita gerada pela Datto no ano passado não teria sido maior nem com cobranças extensivas das suas um milhão de contas de clientes. Ademais, outro movimento ousado foi a instalação de uma infraestrutura própria em vez de tornar as ofertas de armazenamento dependentes da Microsoft ou da Amazon Web Services.

Datto

Como chegar aos players menores

Enquanto a Box foca em multinacionais como a GE e o Dropbox comemora 500 milhões de usuários no sistema de cobranças “fremium” (pelo qual nem todo usuário precisa pagar algo), a Datto busca atualmente acesso a companhias de menor porte através de todo o território estadunidense. Para tanto, a companhia tem lançado mão de associações com as provedoras de serviços de gerenciamento a fim de chegar à porta dos clientes em potencial – tal como um pequeno banco que começa a mover seus arquivos para a nuvem.

Não que a proposta da Datto cause sempre um bom impacto logo de cara. “Eu pensei, ‘Provavelmente não há dinheiro aí, então por que eu deveria me envolver?’”, contou o responsável pela MSP Invenio, Dale Shulmistra, em entrevista à Forbes. A mesma Invenio, entretanto, acabou por ceder um quarto de seus 50 clientes corporativos, que se estendem pela América do Norte, pela Europa e pelo Caribe.

Shulmistra afirma que, de fato, seus clientes buscavam uma alternativa mais barata de armazenamento em nuvem, de forma que a própria Invenio iniciou testes internos com o Datto Drive. “Alguns clientes dizem que o Box e outros se tornam caros demais conforme o negócio cresce”, disse o executivo ao referido veículo. “Para esses clientes, isso é vantajoso.”

Datto

Compromisso pelos anos vindouros

Primariamente uma companhia de recuperação e proteção de dados, a Datto garante que manterá um compromisso com o Datto Drive pelos anos à frente – sem grandes preocupações com gigantes como Dropbox, Box, Google, Microsoft ou mesmo a recém-chegada WeTransfer.

Na verdade, McChord espera dar os primeiros passos rumo à obsolescência dos modelos de pagamento por número de usuários, mesmo que a proposta não seja tão atraente para empresas de grande porte, a princípio. “Os Dropboxes do mundo encaram hoje muita pressão para provar sua valorização. Nós podemos compartilhar a um preço que qualquer negócio pode pagar”, conclui ele.

Fonte: Forbes

Canaltech no Facebook

Mais de 370K likes. Curta nossa página você!