Conceito de nuvem pode desaparecer nos próximos anos, defende CTO da Progress

Por Rafael Romer | 15 de Maio de 2015 às 10h36

Nos próximos dois anos, o conceito de computação em nuvem deverá se tornar ubíquo e sem sentido, defende Mike Ormerod, CTO para desenvolvimento e implantação de aplicações da fornecedora de PaaS (plataforma como serviço) norte-americana Progress.

Em entrevista ao Canaltech, Ormerod afirmou que conforme a nuvem avança e se torna cada vez mais uma espécie de commodity, o mundo caminha para uma nova economia baseada em APIs, onde discussões acerca de adoção da nuvem já terão sido ultrapassadas e, de certa forma, estarão "mortas".

"Não estou dizendo que o conceito da nuvem vai deixar de existir, como algo elástico e de computação de baixo custo, mas, em última análise, ela vai ser tornar onipresente. Vai ser tornar somente a maneira com qual nós faremos as coisas avançarem", explicou o executivo.

Isso abre espaço para que o mercado se centralize nas aplicações, APIs e na "composição" de novos apps baseados em aplicações e APIs criadas por outros desenvolvedores. Para o executivo, no futuro, o modelo de receita de muitas companhias deve ser transformado, com uma parcela cada vez maior vindo das vendas de APIs próprias para outros desenvolvedores. "Como desenvolvedor, desde que haja um acordo de nível de serviço (SLA) com o qual eu concorde enquanto construo minha aplicação, não me importa como esse serviço é implementado", comenta o executivo.

Como exemplo desse novo modelo de desenvolvimento, o CTO cita os populares serviços de streaming Spotify e Netflix: contanto que eles funcionem e entreguem a qualidade esperada para o usuário, ninguém se preocupa com quais ferramentas as plataformas utilizam para a entrega do conteúdo, somente com a experiência. "Eu penso neles como um serviço, não como um serviço de nuvem, ainda que eles o sejam", opinou.

Entre suas atribuições dentro da Progress, Ormerod é hoje um dos responsáveis por elaborar os planos da empresa para tentar antecipar as tendências que devem orientar o mercado nos próximos dois anos. A companhia aposta fortemente nessa tendência de migração do mercado para uma economia de APIs e tem buscado expandir seu portfólio de produtos e serviços através de aquisições de companhias do setor nos últimos dois anos.

Desde 2013, a empresa realizou uma série de novas aquisições focadas em nuvem e PaaS. A mais recente foi a companhia búlgara Telerik, que oferece ferramentas para desenvolvimento de aplicações web, mobile e desktop cross-plataforma, que teve a aquisição completada em dezembro do ano passado, por US$ 263 milhões. "Há uma mudança [da indústria] para microserviços, plataformas baseadas em serviço, e agora há um crescimento da noção de backend mobile como serviço. Esse é um dos motivos da aquisição da Telerik, que tem uma plataforma com o modelo de APIs de serviço", comentou Ormerod, que, aliás, estava na Bulgária durante a conversa com o Canaltech, apesar de não ter falado o motivo da visita ao país. "Nós estamos nos posicionando para ser um player chave nesse mercado", disse.

Progress Software

Para o CTO da Progress Software, discussões ao redor de nuvem e mobilidade deverão dar lugar a uma economia movida por APIs (foto: divlugação)

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