Como a UFCG se tornou a universidade que mais colabora com OpenStack no mundo

Por Rafael Romer | 27 de Abril de 2016 às 08h56

De Austin, Texas*

A comunidade OpenStack no Brasil ainda pode ser modesta se comparada ao número de desenvolvedores em regiões como a América do Norte, Europa e Ásia. Mas isso não significa que o país também não esteja ativo e dando sua colaboração para o avanço do código aberto da plataforma de nuvem.

Nesta edição do maior encontro da comunidade OpenStack do mundo, o OpenStack Summit, em Austin, no Texas, o Brasil mostrou seu potencial colocando um representante entre os finalistas da premiação anual da OpenStack Foundation para os chamados "superusuários": a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Atualmente, a instituição é a universidade que mais colabora com o desenvolvimento do OpenStack no mundo e, segundo os dados do Stackalytics, está na 31ª posição na lista global das organizações que mais fizeram revisões ao código. Desde que começou a contribuir com o OpenStack, na versão Havana da plataforma, já foram mais de 70 mil linhas de código e 3,4 mil revisões de código realizadas pela UFCG.

O projeto de OpenStack da federal teve início em seu laboratório de Redes de Computadores e Sistemas Distribuídos, que há anos já trabalhava com tecnologias como grid computing e gradualmente evoluiu suas pesquisas em direção à computação em nuvem, conforme a tendência foi se desenvolvendo e ganhando força no mercado.

Em 2013, o laboratório começou sua primeira pesquisa com OpenStack, na área e autenticação da plataforma de código aberto, e logo a equipe viu o potencial da tecnologia não só para pesquisa acadêmica, mas para o próprio gerenciamento de nuvem do laboratório. Para reduzir o tempo ocioso de infraestrutura de computação da Universidade, o laboratório aplicou o OpenStack para automatizar o processo de obtenção de máquinas virtuais para projetos estudantis, o que agilizou a disponibilização de tecnologias.

"A gente conseguiu passar a atender mais gente com menos capacidade porque tínhamos menos trabalho para alocar as máquinas", explicou ao Canaltech Andrey Brito, professor do Departamento de Sistemas de Computação da UFCG e responsável pela implementação de OpenStack nos laboratórios. "O OpenStack já vem com as imagens do sistema operacional e permite disparar uma máquina virtual com a configuração, aplicativos e banco de dados pré-configurados em minutos. Isso facilitou muito atender as demandas do laboratório sem aumentar as despesas gerais com a operação".

Em pouco tempo, o projeto começou a se difundir também para outros laboratórios da universidade, como entre as equipes de Banco de Dados, de Análise de Dados e de Práticas em Software, que logo acabaram formando uma nuvem unificada para todo o departamento de computação. Sempre que alguém precisasse de recursos de computação, bastava comprar uma cota da nuvem e receber as máquinas virtuais, um processo que reduziu a espera por equipamento de até três semanas para alguns minutos. Hoje, já são mais de 150 usuários da nuvem do departamento, que continua centralizada no laboratório de Sistemas Distribuídos.

"E isso teve uma alimentação positiva, a pesquisa ficou mais interessante porque ficou mais aplicada", conta Brito. "Com isso, mais alunos se interessaram e nós ganhamos destaque na comunidade. Empresas viram esse destaque da universidade e quiseram fazer projetos em parceria na área de nuvem, o que gerou mais resultados em OpenStack".

Atualmente, a equipe de OpenStack da UFCG conta com 25 membros, entre estudantes, mestrandos, doutorandos e ex-alunos que continuam colaborando. Entre os trabalhos realizados estão projetos de P&D de integração de produtos de empresas com OpenStack - empresas como HP e Ericsson já fizeram parcerias com o time -, além de projetos de pesquisa acadêmica para investigação de aspectos não triviais de computação na nuvem - para empresas como a Copel.

"É uma alternativa muito interessante, a gente tem a oportunidade de fazer pesquisa e validá-la com uma plataforma que está sendo usada mundo afora", comentou. "O OpenStack tem um ecossistema ativo e receptivo à inovação, o fato dele ser altamente modular e descentralizado faz com que a comunidade seja mais receptiva com quem quer contribuir".

OpenStack

Para Andrey Brito, característica modular e descentralizada do OpenStack torna a comunidade mais aberta para novos colaboradores (foto: Rafael Romer/Canaltech)

*O repórter viajou a convite da OpenStack Foundation

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