Adoção do OpenStack é lenta na América do Sul, mas comunidades estão expandindo

Por Rafael Romer | 27 de Abril de 2016 às 13h45
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

*De Austin, Texas

Globalmente, o OpenStack segue avançando: a plataforma de código aberto para implementação de nuvem pública e privada já deixou de estar majoritariamente em ambientes de testes e se aproxima cada vez mais das áreas de negócios de empresas.

De acordo com o mais recente levantamento OpenStack User Survey, realizado pela OpenStack Foundation com 1,6 mil organizações e membros da comunidade em abril deste ano, 65% dos respondentes com implementações de OpenStack indicam que a tecnologia já está em produção — um aumento de 16% em relação ao ano passado.

Ao mesmo tempo, os percentuais de empresas que afirmam que a tecnologia está em fase de testes (21%) ou em prova de conceito (14%) seguem caindo semestre a semestre, indicando também o amadurecimento geral da plataforma dentro das organizações.

Mas ainda que, em geral, o OpenStack esteja se consolidando no mundo todo em setores como TI, telecomunicações e pesquisa acadêmica, a realidade dos cortes regionais de dados é bem diferente: continua existindo uma distância enorme entre a adoção do OpenStack nos países mais engajados com a plataforma e no restante do mundo, onde a plataforma ainda parece ter cara de novidade.

O que mostra isso é o fato do levantamento da fundação ser aberto e voluntário, o que significa que a maior parte dos respondentes tende a vir de empresas mais engajadas com a comunidade que cerca a plataforma. E os resultados revelam que esse engajamento ainda parece estar massivamente concentrado na América do Norte, Europa e Ásia, onde estão, respectivamente, 46%, 24% e 25% do total dos participantes da pesquisa. A América do Sul representou apenas 3% dos respondentes — número que é um dos reflexos de quanto a tecnologia ainda parece dar os primeiros passos por aqui.

Na avaliação de Marcelo Dieder, embaixador da OpenStack Foundation no Brasil, os desafios que a plataforma enfrenta para expandir sua presença no país e no restante da América Latina tem mais a ver com a insegurança de empresas em relação à computação em nuvem do que com o OpenStack em si.

"A partir do momento que as empresas começarem a ter mais confiança para usar a nuvem, o OpenStack vai pegar carona e começar a crescer mais", comentou. "A gente vê ainda algumas empresas preocupadas com questões como segurança e com a indisponibilidade da infraestrutura, mesmo sabendo que elas poderiam se beneficiar com a nuvem".

Ainda que não exista uma métrica para apontar como está o crescimento do OpenStack entre empresas, o crescimento da própria comunidade de desenvolvedores na América Latina e, principalmente, no Brasil, indicam que um ecossistema ao redor da plataforma já está se formando. Só no ano passado, a comunidade OpenStack cresceu 64% na América do Sul (o maior índice entre todas as seis regiões avaliadas pela fundação) e mais de 100% no Brasil — se aproximando da marca de 1,5 mil colaboradores em todo o continente.

Um dos planos da fundação para auxiliar a expansão da comunidade local é a realização de mais eventos locais, além de novas ações no país. Uma das ideias é trazer pela primeira vez uma hackathon dedicada ao desenvolvimento de aplicações em OpenStack à região — que já deverá ser realizada pela primeira vez no Brasil em 2017.

"Eu diria que a adoção na América Latina tem definitivamente se movido mais devagar, principalmente quando comparamos com América do Norte e Europa, é mais lenta", comentou o diretor executivo da OpenStack Foundation, Jonathan Bryce, ao Canaltech. "Mas uma tendência que temos visto em países como o Brasil e o México é entre instituições governamentais e na educação — há uma tração maior entre usuários nestas áreas".

OpenStack

Para diretor executivo da OpenStack Foundation, áreas como educação e governo mostram potencial na região (foto: Rafael Romer/Canaltech)

Um destes exemplos da participação do Brasil no desenvolvimento e implementação de OpenStack é o da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Após adotar uma nuvem OpenStack para o departamento de Computação, a universidade paraibana fechou o ano passado como a instituição da área de educação que mais colaborou com o código do OpenStack no mundo, com um total de 70 mil linhas de código e 3,4 mil revisões. A participação da universidade tornou a UFCG uma das finalistas do "Superusers" do OpenStack Summit deste ano, uma premiação da OpenStack Foundation que escolhe usuários que mais colaboram para aplicações inovadoras da tecnologia.

O interesse de algumas empresas locais no fornecimento do OpenStack também mostram que a plataforma ganha força, principalmente no Brasil. Baseada em São Paulo e fundada em 2014, a Nubeliu é uma dessas organizações, surgida a partir de um "spin-off" de funcionários do Mercado Libre da Argentina, que viram o potencial de trabalhar com a plataforma na região. Hoje, a companhia já tem organizações como Totvs, a operadora Oi e a Cidade de Buenos Aires como clientes.

Há duas semanas, a fornecedora de infraestrutura Uol Diveo também anunciou a aquisição da Dualtec Cloud Builders, uma das pioneiras no Brasil em implantação de nuvens em OpenStack.

Para Dieder, um dos fatores que deve ajudar a tecnologia a se expandir na região é o atual momento de instabilidade econômica que alguns países da América do Sul vivem, que tem levado companhias a reverem seus gastos e buscar melhores soluções para redução de custos e gerenciamento de recursos — áreas onde o código aberto do OpenStack tem se mostrado uma opção viável.

"A gente nota um interesse maior, nós temos discussões com empresas no Brasil quem entram em contato conosco para conhecer mais, questionando sobre treinamento, sobre serviços. Como comunidade, nosso papel é disseminar, mas nós vemos por meio desses questionamento que há interesse de empresas grandes e pequenas no OpenStack", afirmou.

*O repórter viajou a convite da OpenStack Foundation

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