Segurança e privacidade na nuvem: ignorar cloud computing não é a melhor solução

Por Colaborador externo | 23 de Outubro de 2013 às 11h40
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Por Mauricio Cascão*

O modelo é comprovadamente vantajoso e questões de segurança e privacidade não são empecilhos para a adoção da computação em nuvem.

A computação em nuvem já deixou de ser uma tecnologia incipiente para se tornar uma prática madura. Sua adoção evolui rapidamente em todo o mundo e, principalmente, nos países latino-americanos. Segundo estimativa da consultoria Frost&Sullivan, os investimentos em cloud computing no Brasil em 2013 deverão chegar a US$ 203 milhões, o que representa um crescimento de 74% em relação a 2012.

Trata-se de um modelo utilizado por centenas de milhares de empresas de todos os portes e segmentos de negócios no mundo todo. É uma alternativa comprovada ao antigo modelo da compra de hardware e software, permitindo que cada vez mais empresas optem pelo aluguel de recursos computacionais e softwares em estruturas dedicadas ou compartilhadas. Implantar uma infraestrutura de Tecnologia da Informação na nuvem pode ser muito mais rápido, barato e eficiente quando comparado a uma infraestrutura com servidores físicos e softwares dedicados.

No entanto, os recentes escândalos referentes ao programa Prism da Agência de Segurança Americana (NSA) geraram um série de questionamentos por parte das empresas mundiais com relação à confidencialidade e segurança de seus dados em cloud. As evidências sugerem que empresas que usam soluções hospedadas em solo americano são monitoradas pelo governo do país, com respaldo do Ato Patriota de 2001, que garante acesso a informações sob o pretexto da segurança pública. No Brasil, preocupado com este aparente controle alheio, o governo federal estuda uma mudança e aceleração no projeto do Marco Civil da Internet, mas a discussão está longe de acabar.

O cenário atual, a primeira vista, gera incertezas e inseguranças com relação à utilização da computação em nuvem. O que preocupa, porque empresas poderão amargar prejuízos decorrentes de adiamentos ou suspensão de processos de migração já programados ou em andamento. O que fazer? Ignorar a computação em nuvem não é a melhor saída.

As empresas precisam se certificar de que o fornecedor escolhido para abrigar seus dados, aplicações e sistemas oferece todas as garantias relacionadas à segurança e à privacidade. Provedores globais aparentemente não conseguem oferecer tais garantias. Sendo assim, a alternativa mais prática e segura para as empresas estabelecidas no Brasil é contratar um serviço de computação em nuvem de empresas que tenham sua infraestrutura de servidores baseadas aqui no país. Assim, os dados ficam em território nacional, fora do raio de ação de legislações internacionais mais intrusivas.

Esse contexto, apesar de representar um aspecto extremamente importante, não é um entrave à adoção dos serviços de computação em nuvem. Pelo contrário, ele abre uma discussão que favorecerá o aprimoramento dos serviços prestados no setor e a profissionalização das empresas fornecedoras.

*Mauricio Cascão é CEO da MANDIC, uma das maiores empresas brasileiras especializadas em Cloud Solutions.

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