NYT afirma: 'computação em nuvem é um negócio sujo'

Por Redação | 30.09.2012 às 14:15
photo_camera New York Times

A primeira parte de uma série de reportagens publicadas pelo jornal The New York Times revela que as empresas de tecnologia e seus data centers são grandes consumidores de energia, com mais de 30 bilhões de watts/hora consumidos no mundo todo, incluindo 10 bilhões de watts/hora consumidos somente pelos Estados Unidos.

Do montante, entre 6% e 12% são consumidos com computação. O restante é gasto para manter os servidores em perfeito funcionamento em caso de acidentes e desastres. Outras fontes consultadas pela publicação afirmam que as necessidades crescentes de energia elétrica para servidores são insustentáveis.

"Energia, Poluição e Internet" é a primeira parte de uma longa investigação iniciada pelo jornal sobre o impacto no meio ambiente da computação na nuvem. A matéria ainda destaca que essa é uma 'indústria suja' e ressalta o papel de grandes empresas como Google, Facebook e Amazon.

Segundo o The Verge, a reportagem apresenta uma visão um tanto distorcida da internet e da computação na nuvem, se concentrando em informações oriundas de mídias frívolas e sem levar em consideração a nuvem como elemento esssencial na infraestrutura de empresas.

A internet não é apenas um recurso de entretenimento nos dias de hoje e passou a ser necessária para a produção industrial e de serviço de diversos mercados, ou seja, o consumo de energia com o armazenamento de dados e acesso às informações irá aumentar, consequentemente. Com isso, a eficiência ambiental dos bancos de dados se tornam um grande problema, e as empresas deverão pensar em soluções sustentáveis para o consumo exacerbado.

A preocupação com o consumo de energia em data centers não é algo inédito. Em 2007, a Agência de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos enviou um relatório ao congresso no qual previa que o consumo de eletricidade iria dobrar até 2010 e, sugerindo que as autoridades pressionassem as grandes empresas para criarem soluções para tornar os centros eficientes em energia.

Em 2011, Jonathan Koomey, especialista em política energética da Universidade de Stanford, afirmou que o consumo de energia nos data centers aumentou entre 2005 e 2010 56% no mundo todo e 36% somente nos Estados Unidos, indicando que a previsão pessimista anterior não havia se cumprido e podendo ser atribuída à recessão global e novas medidas de economia energética.

Koomey afirmou recentemente que os benefícios da tecnologia da informação superam todos os seus custos. Atualmente, os data centers consomem apenas 1,3% de toda a energia elétrica mundial, disse ele. E no mesmo espaço, o vice-presidente sênior do Google, Urs Hölzle, também afirmou que a computação na nuvem é capaz de reduzir os gastos em energia em bilhões de dólares e milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono para outros setores da economia.

Os dados apresentados mostram que o grande problema não é a quantidade de energia que está sendo consumida pela nuvem, mesmo ela sendo responsável por parte significativa dos gastos. E sim, como o mundo está consumindo energia e como as empresas de tecnologia estão trabalhando para criar soluções para a eficiência energética em seus bancos de dados.

E a razão pela qual os data centers não aproveitam 100% de toda a energia para a computação de dados é porque essa infraestrutura alimenta todos os nossos serviços como bancos, escolas, polícias, negócios entre outros recursos fundamentais para a manutenção da sociedade moderna.