Produtividade e Computação em Nuvem no Brasil

Por Maurício Cascão | 15 de Dezembro de 2014 às 11h14

O momento brasileiro é de desaceleração econômica, com baixas perspectivas de crescimento do PIB para os próximos dois anos e uma inflação que nos últimos quatro anos sempre flertou com o limite superior da banda - muito acima da inflação média de países emergentes, latino-americanos e desenvolvidos. Este cenário não é novidade para o leitor brasileiro esclarecido. O governo sinaliza uma perspectiva de mudança com a nova equipe econômica, mas as mensagens ainda são dúbias e o mercado demanda sinais mais claros.

Algo que muito me chama a atenção é o baixo crescimento da produtividade do trabalhador brasileiro. Dados da Conference Board, entidade americana de pesquisa, mostram que colaboradores de empresas brasileiras produziram cerca de US$ 10,8 por hora trabalhada em 2013. Esta média foi a menor em comparação com as de outros países, como Chile (US$ 20,8), México (US$ 16,8) e Argentina (US$ 13,9). Além disso, o índice de produtividade no Brasil foi de apenas 0,8% no mesmo período, após uma queda de 0,4% em 2012. No ano passado, para ter uma noção da disparidade, o índice chinês figurava com alta de 7,1%.

Sempre acompanhei atentamente a evolução destes índices por saber que, tanto numa nação como numa empresa, se ano após ano os indicadores de produtividade não melhoram, não há como fazer frente a reajustes salariais sem desligamentos. O que é ruim para todos.

Sabemos que aumento de produtividade é fruto de um tripé sustentado por pessoas, processos e sistemas. E aqui faço o link com a computação em nuvem. Contratar pessoas que não têm afinidade com computadores, por exemplo, vai custar mais caro para a sua empresa, porque você vai ter que capacitá-los. Isto é verdade absoluta para a indústria de serviços e, intuitivamente, será cada vez mais verdade para todas as indústrias.

Como ensina o professor Vicente Falconi, processos bem desenhados e controlados eliminam inconformidades e aumentam a qualidade da produção. Diante disso, digo que processos maduros tornam-se ainda mais eficientes quando automatizados, emulados por softwares, na forma de uma aplicação que de forma crescente também roda na nuvem. Estes constituem o chamado “sistema” - que suporta o negócio de sua empresa e consome recurso computacional na forma de processamento e armazenamento de dados.

Atualmente, o ambiente mais rápido e flexível para rodar qualquer sistema é um servidor na nuvem, onde tais recursos são consumidos na forma de IaaS (infrastructure as a service). Ou seja, você não compra o hardware, mas aluga a capacidade necessária de processamento. Inclusive, hoje a Oracle estima que 90% dos softwares em desenvolvimento se destinam à nuvem pública.

E por falar na Oracle, recentemente assisti à palestra do CEO Mark Hurd e deixo o seguinte insight para a reflexão do leitor: computação em nuvem é disruptiva porque é simples (você a acessa de qualquer lugar e é rápida). Os usuários recebem em tempo real os novos releases das aplicações. E, desta forma, injeta inovação em sua empresa, além de ser economicamente muito mais interessante, porque você não compra, mas aluga tecnologia da informação na quantidade que a sua empresa precisa, com flexibilidade para aumentar ou diminuir o investimento de acordo com as necessidades do seu negócio.

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