Os planos da Red Hat para a plataforma OpenStack

Por Rafael Romer | 26 de Setembro de 2014 às 14h46
photo_camera Rafael Romer/Canaltech

A empresa do setor de soluções de software open source Red Hat realizou nesta quinta-feira (29), em São Paulo, a primeira edição brasileira do Red Hat Fórum, versão local do seu evento global mais importante, o Red Hat Summit, que discute anualmente questões sobre software aberto, além de estratégias e soluções da empresa.

O evento no Brasil acontece em um período agitado para a Red Hat. Após anunciar resultados positivos na semana passada, atingindo a marca de 50 trimestres consecutivos de crescimento de receita, a empresa falou sobre sua estratégia e aposta na busca pela liderança no desenvolvimento e ganho de mercado com plataforma open source de nuvem OpenStack.

Chamada de o "Linux da nuvem" por muitos, a plataforma aberta é considerada pela Red Hat o futuro da TI para data centers , e tem recebido uma atenção especial dentro da empresa nos últimos anos.

"O OpenStack, assim como o Linux foi há 12 anos, será a próxima área mais importante open source para nós. Nós tomamos a decisão de nos comprometermos com o OpenStack há alguns anos", afirmou o vice-presidente de plataformas da Red Hat, Jim Totton. "Acreditamos que o OpenStack vai mudar e transformar o espaço da infraestrutura, assim como o Linux mudou o espaço dos sistemas operacionais".

Mas a questão é que o OpenStack hoje já tem mais de 200 empresas envolvidas no seu desenvolvimento, contribuindo ativamente com a evolução do código. Muitas de calibre alto, como Cisco, VMware e IBM. Se por um lado a atividade é positiva para o avanço do projeto, para as empresas, o OpenStack tem ficado mais e mais competitivo na busca de clientes que adotem as diferentes versões enterprise que surgem do software.

Desde o princípio do projeto, a Red Hat liderou o desenvolvimento com a maior parte das contribuições de revisões de código – a companhia é responsável por 17% do total de contribuições.

Para a versão mais recente (Juno) do OpenStack, no entanto, a empresa perdeu o posto de primeira colocada no ranking. Segundo dados do próprio Stackalytics, a Red Hat é a segunda empresa que mais colabora com o desenvolvimento, com 17% do total, atrás da HP, que lidera com 20%. A briga se acirrou em maio deste ano, quando a HP anunciou um investimento de US$ 1 bilhão em nuvem OpenStack.

Red Hat

O vice-presidente de plataformas da Red Hat, Jim Totton, durante sua apresentação no Red Hat Fórum, em São Paulo (Foto: Rafael Romer/Canaltech)

E diferente de outros projetos open source, como o próprio Linux, o OpenStack ainda não tem um ecossistema mais ou menos centralizado, responsável por organizar a governança, integração e direções gerais do software – o que o faria ganhar mais presença no mercado. Isso só deve começar a se definir nos próximos um ou dois anos, conforme o software amadurece com mais desenvolvedores.

A Red Hat afirma não temer que o ecossistema seja "dominado" por outro desses players. Mas é fato que as contribuições da empresa são essenciais para que ela não perca espaço dentro do sistema.

O próprio CEO da empresa, Jim Whitehurst, escreveu no blog oficial da Red Hat que o momento agora é de uma mudança do mercado de client-server para cloud-mobile, em um post intitulado "Em uma questão de tempo, [os] vencedores da nuvem serão escolhidos em breve", indicando que a empresa não quer perder espaço nessa área.

A aposta da Red Hat nesse cenário é o fato de já ter nascido dentro do ambiente open source, o que, aliado ao know-how de desenvolvimento de software aberto com suas múltiplas versões do sistema operacional RHEL (Red Hat Enterprise Linux), deverá garantir uma vantagem no desenvolvimento da plataforma e contribuir para uma presença forte no ecossistema open source do OpenStack.

Mas os desafios da empresa não param por aí. Por ora, o OpenStack tem se provado uma solução para alguns mercados muito focados, como empresas de telecomunicações (AT&T e Deutsche Telekom são exemplos) e usuários com necessidades específicas, como o centro de pesquisa europeu CERN e a agência espacial norte-americana, a NASA.

Existem, sim, alguns grandes cases públicos de uso. O PayPal talvez seja um dos principais, mas o OpenStack ainda não observa uma penetração tão grande entre usuários entreprise comuns de TI. E parte disso pode ser atribuída à considerável complexidade do sistema.

Será tarefa da Red Hat não só fornecer uma solução simples para o sistema, mas também apresentá-la de maneira menos técnica para o mercado.

A empresa reconhece que é um desafio rever seus discursos para o mercado, que muitas vezes foca mais nos aspectos de infraestrutura e menos no negócio. Mas algumas ações já estão sendo tomadas, e devem seguir na direção de apresentar a solução de forma mais voltada para CEOs, não apenas CIOs. "A pergunta é: 'como a empresa vai ser aproveitar disso para criar novos negócios?'", questionou Gilson Magalhães, presidente da Red Hat Brasil.

Entre as iniciativas está uma das três aquisições feitas pela Red Hat em 2014, a empresa de consultoria em OpenStack eNovance, que passou a integrar a Red Hat em junho deste ano. Em abril, a empresa também já havia anunciado a aquisição de outra empresa do setor, a Inktank, que oferece sistemas de armazenamento de código aberto para OpenStack.

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