Espionagem norte-americana pode diminuir procura por nuvens públicas

Por Redação | 09.08.2013 às 15:55

Os orçamentos dos fornecedores de nuvem estão superando os de data centers empresariais à medida que as companhias adotam a cloud. Isso significa mais dinheiro entrando no bolso das empresas de segurança na nuvem e outros negócios complementares.

O Gigaom destaca que muitas empresas têm se sentido confortáveis utilizando nuvens públicas ao longo dos últimos meses – principalmente porque seus gastos com os provedores de nuvem não crescem tanto quanto aqueles com data centers. Tudo isso significa um aumento na canalização de mais negócios para os provedores de cloud e também para as empresas que suportam implementações de nuvem. Mas uma coisa chamada "PRISM" poderia mudar essa tendência.

Vamos aos números. De acordo com um levantamento feito pelo Uptime Institute, em 2013, 17% das empresas estavam usando nuvens públicas, um aumento considerável perante os 10% do ano passado. O estudo levou em conta as respostas de 1.000 operadores de data centers, gerentes e executivos em vários países e foi realizado entre os meses de fevereiro e abril deste ano.

Além disso, 32% dos operadores de data centers empresariais relataram que seus orçamentos ficaram estáveis em relação ao ano anterior. 63% das empresas de SaaS, provedores de nuvem, empresas e prestadores de serviço de data center relataram um aumento em seu orçamento de mais de 10%. Os números dos orçamentos relatados e a adoção da nuvem não têm nenhuma relação causal, mas juntos eles sugerem que o dinheiro está se deslocando para reforçar a infraestrutura e serviços em nuvem, em vez de ir para armários de servidores das empresas.

As empresas que permitem a transferência de dados a partir de instalações corporativas para nuvens públicas têm espaço para captar mais negócios. Mas, à medida que mais cargas de trabalho se movem para as nuvens públicas, em geral, os provedores de IaaS (Infraestrutura como Serviço) podem querer personalizar sua própria engrenagem.

Saiba mais: Infraestrutura convergente: quais são as características indispensáveis?

O escândalo do caso PRISM e todo o esquema de espionagem norte-americano pode corroer a cota de mercado estrangeiro para os servidores de nuvem dos Estados Unidos. A revelação do esquema de espionagem do governo levantou uma série de perguntas sobre a segurança dos dados, o que pode significar que as empresas passem a olhar mais para nuvens privadas, mudando o cenário desenhado anteriormente.

O Brasil, por exemplo, foi um dos países que reagiu ao caso PRISM. Ao saber das revelações acerca do programa de espionagem, houve uma proposta de mudança no texto do projeto do Marco Civil da Internet, que regulamenta os direitos e deveres na rede. A ideia é determinar que os dados dos brasileiros na Internet sejam armazenados em servidores no território nacional. Caso aprovado, o novo artigo valerá apenas para empresas de internet que tenham representação formal no Brasil, como Google, Facebook e Twitter.