"Em social e mobile, o Brasil está no topo do mundo", afirma Salesforce

Por Rafael Romer | 12 de Junho de 2013 às 14h28

Líder no mercado de CRM, a Salesforce anunciou nesta terça-feira (11) a abertura de seu primeiro escritório no Brasil. Programado para abrir em São Paulo, no segundo semestre deste ano, o escritório dá continuidade na atuação da empresa, que iniciou sua operação no Brasil há oito anos com equipes remotas.

De acordo com representantes da companhia, o momento favorável da economia e as demandas por soluções de cloud computing do mercado nacional impulsionaram a entrada física da Salesforce no país. A empresa ainda não divulgou o número de funcionários ou quem ficará no comando do escritório no Brasil.

Nos últimos três anos, a empresa triplicou o número de clientes no Brasil, chegando aos atuais 1,5 mil. Além disso, vários dos clientes globais da empresa, baseados em regiões como Europa, Estados Unids e Ásia começaram a avançar para o Brasil e buscar soluções da Salesforce para apoiar as operações aqui.

Atualmente, a Salesforce atua com empresas de pequeno, médio e grande porte e oferece soluções em nuvem, como nuvens sociais, para companhias de setores como indústria, varejo, saúde, produtos e para o setor público, com companhias como a Petrobrás, Embratel e Embraer.

O Brasil é o oitavo maior mercado global para a Salesforce, atrás apenas de países com mercados consolidados de TIC, como Estados Unidos, Reino Unido, Japão e Alemanha. Na América Latina, 50% das operações da empresa se originam no Brasil, com México e Colômbia representando outros mercados de interesse em potencial para a Salesforce.

A companhia divulgou em maio os números de seu faturamento para o primeiro trimestre fiscal de 2014, que ficou em US$ 893 milhões – um crescimento de 28% em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa também anunciou um lucro de 283 milhões, o que representou um aumento de 33%.

Durante o evento no qual o anúncio foi formalizado, realizado na última terça em São Paulo, o Canaltech conversou com o vice-presidente sênior de vendas coorporativas, Aaron Katz, e o vice-presidente sênior para América Latina, Enrique Perezyera, sobre a abertura do escritório no Brasil:

Canaltech: A Salesforce já está há oito anos no Brasil, por que só agora abrir o escritório aqui?

Aaron Katz: “De uma perspectiva da nossa empresa, não era uma questão de ‘se’ nós iríamos para o Brasil, mas de ‘quando’ nós iríamos para o Brasil. Quando nós fizemos isso, queríamos estar seguros de que tínhamos um modelo de negócios sólido, que não era simplesmente uma visão de curto prazo no mercado. Nós montamos um plano de investimentos de cinco anos na região. É uma oportunidade única para localizarmos nossos serviços e contratarmos brasileiros que entendem esse mercado e essas indústrias”.

Aaron Katz Salesforce

Vice-presidente sênior de vendas coorporativos da Salesforce, Aaron Katz (Foto: divulgação)

Enrique Perezyera: “Nós desenvolvemos uma rede de parceiros que é significante aqui no Brasil, que tem consultores locais, falando português no país. Então a maneira com que nós trabalhávamos com nossos parceiros é um modelo de “co-venda”, no qual vamos juntos ao cliente, mostramos os pilotos e os demos e, quando ele quiser fechar negócio, basta assiná-lo conosco. Depois, assina a consultoria e o trainamento com o parceiro. Então, com esse número de parceiros e esse modelo de fazer negócios, não era urgente para nós estar dentro ou fora do Brasil. Agora chegou o momento que a força de vendas da empresa está pronta para dar o próximo passo em termos de proximidade. É um processo natural de evolução”.

CT: Neste momento já se volta a falar de problemas de crescimento e inflação no Brasil, vocês ainda veem o país como um mercado em crescimento?

AK: “Quando tivemos a crise global em 2008 e 2009, estes foram alguns dos nossos anos de maior crescimento, em termos de sucesso de clientes, porque companhias tradicionais estavam procurando por tecnologias para ajudá-las a mudar seus modelos de negócio e de fazer as coisas de uma forma diferente. Eles estavam procurando por acordos em forma de assinaturas, que são mais previsíveis em termos de gastos. E essa é a vantagem da computação em nuvem: você só paga pelo que usa e não precisa digerir um grande gasto logo de cara e aguardar de seis a doze meses para ter retorno. Então, até nesse período, no qual nós podemos ver alguma preocupação econômica, nós vamos ver crescimento de modelos de tecnologia como a computação em nuvem para produzir resultados mais rápidos”.

EP: “Em termos do mercado local brasileiro, também há a criação de empregos que vem com a computação em nuvem. Nós não apenas contrataremos pessoas, criando empregos localmente, mas há muito crescimento econômico que vem com a comutação em nuvem, pois, atualmente, em uma escala global, o desenvolvedor em nuvem é o mais procurado e valorizado profissional no mundo da tecnologia. Estes desenvolvedores simplesmente não existem, são difíceis de achar, são muito caros e acredito que trazendo essa tecnologia e educando a comunidade desenvolvedora no Brasil, que tem um mercado de trabalho com muita habilidade, nós vamos criar um ecossistema ao redor do desenvolvimento em nuvem”.

CT: E qual será o tamanho da operação no Brasil?

AK: “A aprovação do escritório foi feita na semana passada, nós estamos começando o planejamento de localização e quantas pessoas nós teremos aqui, então será uma campanha de construção de longos anos de nossa presença local. Nós também não divulgamos as figuras-chaves da companhia localmente”.

CT: Durante a apresentação foi dada bastante ênfase na atuação da Salesforce junto a agentes do setor público. Esse é um dos focos da empresa aqui no Brasil?

EP: “Globalmente, uma das maiores oportunidades que a Salesforce tem é o setor de governos. O setor público global é um mercado emergente, e a América Latina e o Brasil, em particular, não são exceções, existem necessidades muito grandes no setor público e áreas para automatizar processos de negócios. Nós acreditamos que podemos agregar muito valor neste espaço e é uma das áreas na qual estamos esperando crescimento nos próximos anos”.

CT: O Brasil é atualmente o oitavo mercado mundial para a Salesforce, vocês têm expectativas de que o país avance neste ranking com a localização dos serviços?

EP: “Nós não podemos fazer previsões, mas o que eu posso dizer é que o Brasil está pulando à frente do mundo. Vocês são o quarto país do mundo em termos de penetração de dispositivos móveis, vocês são o segundo país em termos de uso de mídias sociais. Essas estatísticas para nós são importantes, porque nosso mantra é ‘nuvem, social e mobile’. E em social e mobile, vocês são o topo do mundo”.

CT: Em termos de América Latina, quais são os focos da operação da Salesforce a partir daqui?

EP: “Outros mercados interessantes para nós, em termos de tamanho e estabilidade da economia são a Colômbia e o México, que fizeram um trabalho incrível de limpeza de desafios que eles enfrentam como países. Se eu fosse dizer as três vértebras de nossa região, seriam o Brasil, como a economia número um, México em segundo e Colômbia em terceiro”.

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