Diretor do Dropbox responde às acusações de Edward Snowden

Por Redação | 24.07.2014 às 16:45

Depois de colocar governos e organizações contra a parede, Edward Snowden decidiu apontar suas armas para o Dropbox e acusou o serviço de hospedagem nas nuvens de ser “hostil à privacidade”. Em resposta, a empresa disse que tem tanta confiança em seus próprios serviços que até mesmo os diretores da companhia costumam guardar informações confidenciais em seus servidores.

Segundo o gerente de produtos para o mercado corporativo, Ilya Fushman, a segurança e a privacidade estão em primeiro lugar, com a empresa tendo recebido boas recomendações de órgãos ligados a esse quesito. Em entrevista ao Inquirer, ele lembrou também os relatórios de transparência divulgados periodicamente, que trazem informações sobre os tipos de pedidos de revelação de informação que a empresa recebeu.

Mais do que isso, lembra Fushman, o Dropbox é uma plataforma aberta. Funcionando como uma pasta no computador dos usuários, por exemplo, ela aceita arquivos criptografados da maneira como o utilizador preferir, permitindo que ele use suas soluções favoritas e, então, suba os dados para a infraestrutura da empresa com ainda mais segurança. Essa ideia de liberdade também está na essência da companhia, segundo ele.

O executivo, porém, lembrou que é preciso cuidado adicional com esse tipo de uso. Apesar dele ser plenamente possível, explica, a adição de mais camadas de encriptação impede o funcionamento de algumas soluções do Dropbox, como a busca integrada aos arquivos na nuvem ou a renderização de documentos em tempo real, para consulta e edição.

Além disso, o Dropbox não pode fazer nada com relação à perda de senhas ou chaves de acesso a tais arquivos, já que eles não foram encriptados sob as soluções da empresa. Assim, a medida pede cautela por parte dos usuários e, apesar de perfeitamente possível, parece não ser muito recomendada.

Agora, o Dropbox trabalha junto a outras empresas de tecnologia em busca de mudanças na legislação que permitam ainda mais transparência na revelação dos pedidos de informação feitos pelas autoridades. O alvo aqui, mais especificamente, é a NSA, uma das principais responsáveis pelo escândalo de espionagem que ainda toma as manchetes do mundo todos os dias.

O serviço de hospedagem nas nuvens passou a estar na mira de Snowden e outros protetores da liberdade na internet principalmente após a nomeação de Condoleezza Rice para seu quadro de diretores. A ex-secretária de estado norte-americana trabalhou durante o governo Bush e foi um dos principais rostos da guerra ao terror realizada pelos EUA. É justamente essa experiência diplomática e internacional que ela deve trazer à empresa, principalmente em sua relação com países como a China, que possuem regras de privacidade e censura bem diferentes das ocidentais.