Cloud computing… com nuvens escuras de confusão sobre o conceito

Por Colaborador externo | 11 de Setembro de 2013 às 09h15

Por Júlio Fábio Chagas*

Para responder a algumas opiniões sobre Cloud Computing que apareceram no mercado, quero inicialmente falar sobre algumas características das verdadeiras nuvens da natureza, utilizadas como analogia neste novo modelo de negócio da tecnologia.

  • Naturalmente Globais: Uma nuvem de chuva é uma nuvem de chuva em qualquer lugar do mundo.
  • Não precisam ser percebidas: As nuvens que pairam sobre nossas cabeças desempenham seu papel independente de olharmos para elas. Existem independente de nos preocuparmos com elas ou não, independente se as queremos por perto ou não;
  • Não possuem uma forma fixa: Dependendo da situação dos ventos – força e direção, o formato da nuvem será moldado sempre a uma nova realidade, adequando-se ao cenário atual e momentâneo;
  • Densidade e volume variáveis: De acordo com essas duas características, o resultado final para o ambiente pode variar. É possível que haja sombra, chuvisco, granizo ou tromba d’água.
  • Composição da nuvem: As nuvens podem ser compostas por diversos tipos de materiais e combinações: Cristais de gelo, partículas de água, sedimentos/poluentes na atmosfera etc.

Se o resultado final é apenas uma leve sombra, trata-se de uma nuvem do tipo cumulus ou altostratus; se o que ela traz é muita água, trata-se de uma cumulonimbus ou nimbostratus.

Mas como esse paralelo nos permite entender mais profundamente sobre Cloud Computing? É simples. Assim como na natureza, quando abordamos o assunto do ponto de vista da tecnologia, não é possível afirmar que existe apenas um tipo de Nuvem, ou A Nuvem.

Não existe A NUVEM como um produto em si, mas um conjunto de variações de nuvens que poderão trazer os resultados esperados para a operação ou estratégia de sua empresa.

Você pode estar em busca de uma nuvem do tipo IAAS, ou seja, infraestrutura como serviço, cujos “materiais” são basicamente: processamento, armazenamento e transporte de dados. Neste caso, o mais comum é que o cliente seja cobrado de acordo com o consumo destes “materiais”. Quanto mais tempo de processador e volume de armazenamento utilizado, mais você paga, trazendo um custo variável para sua operação.

No entanto, se você está em busca de um software na nuvem e está mais preocupado com que ele esteja acessível 99,99% das vezes do que com o tipo de banco de dados utilizado ou a linguagem com a qual ele foi desenvolvido, o comum não é pagar pelo volume de dados utilizados ou processados. Em um CRM na nuvem, por exemplo, a cobrança costuma ser feita a partir do volume de usuários ativos dentro de um período (mensal, anual, semestral etc.), não sendo aplicadas cobranças por volume de propostas/oportunidades ou interações com clientes, nem tão pouco por megabytes de dados armazenados ou transportados de um lado para outro. Esse é o modelo convencional do SAAS, software como serviço.

Porém, se sua empresa é uma consultoria que desenvolve alguns softwares ou disponibiliza conteúdos, mas que utiliza alguma plataforma de desenvolvimento de software na nuvem, ou processamento de big data na nuvem, com certeza você está à busca da nuvem tipo PAAS, Plataforma como serviço. Neste cenário, o modelo de cobrança convencional é um montante de dinheiro para uma determinada quantidade de produto final que você disponibilizará.

Por último, existem aqueles que utilizam a combinação de todos esses tipos de nuvem: IAAS + PASS + SASS = EAAS, Everything As A Service, que são os modelos mais complexos e geralmente vêm acompanhados com mais de uma fatura mensal.

O que esses tipos de nuvem possuem em comum é o fato de todas terem a capacidade de se adequar ao momento do cliente, para evitar super ou sub dimensionamento de recursos tecnológicos. Em alguns casos esse benefício é sentido diretamente pelo contratante por nunca ficar no gargalo (disponibilidade e velocidade); em outros momentos é sentido na margem de lucro do fornecedor, por ter ganhado em eficiência e escalabilidade.

Por isso, quando se afirma que os provedores de solução em nuvem no Brasil realizam essa cobrança de forma errada, por não vincularem o valor a um modelo apenas de “pague o que você usou”, é equivocado. O mercado de nuvem não se resume a um único modelo de negócio e operação, é muito mais abrangente.

Dessa forma, descubra o tipo de nuvem que sua empresa precisa, ou tipos, pois há um para cada sombra, chuva ou claridade que se deseja.

*Júlio Fábio Chagas é especialista em mobilidade e diretor de estratégia e marketing da MC1.

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