As cinco tendências de adoção de computação na nuvem no Brasil

Por Redação | 20.10.2014 às 16:45

A Capgemini, um dos principais provedores de serviços de consultoria, tecnologia e terceirização, divulgou um estudo recente que revela as principais tendências para o mercado corporativo de cloud computing no Brasil. Batizado de "Nuvem corporativa no Brasil: no ponto crítico da adoção acelerada", o levantamento foi realizado entre março e abril de 2014 e conta com 415 executivos de tecnologia de médias e grandes empresas públicas.

Feita em parceria com a Coleman Parkes Research, esta é a primeira pesquisa sobre os modelos emergentes de infraestrutura corporativa e ambiente de aplicação na era da nuvem com foco no Brasil. Entre os executivos que participaram das entrevistas estão líderes dos setores de consumo, varejo, energia, telecomunicações, financeiro, manufatura e governamental.

Veja abaixo os principais pontos abordados pelo estudo que destacam elementos importantes para o desenvolvimento da computação na nuvem no Brasil.

1. Software-as-a-Service

De acordo com o relatório, o modelo de cloud mais utilizado pelas empresas é o Software-as-a-Service (SaaS), presente em 73% das companhias brasileiras, em comparação ao Infrastructure-as-a-Service (IaaS), com 55%, e ao Platform-as-a-Service (PaaS), adotado por 39%. Essa preferência se dá porque o SaaS é uma opção mais acessível e de fácil implementação e evolução dos aplicativos. Os dois setores que lideram o uso do SaaS são o de bens de consumo (92%) e o de varejo (70%), seguidos pelo setor público (60%), em terceiro lugar.

Olhando para o futuro, a pesquisa aponta crescimento do modelo de SaaS, que deve se tornar quase onipresente nas empresas. Prova disso é a indicação de que 92% dos executivos pretendem utilizar esse modelo nos próximos dois anos.

2. Infrastructure-as-a-Service

Embora o SaaS ainda predomine nas organizações brasileiras, o Infrastructure-as-a-Service deve ganhar ainda mais participação no país, uma vez que oferece benefícios como redução de custos e eficiência operacional.

Para as corporações nacionais, o IaaS é um componente importante do modelo de computação na nuvem por conta do forte crescimento dos serviços de data center e de virtualização. O estudo indica que o uso de infraestrutura como serviço, adotada por 55% dos participantes, deve crescer 33 pontos percentuais nos próximos dois anos. Entre os serviços nessa modalidade, que têm sido adquiridos pelas companhias brasileiras, destaca-se o modelo de Backup-as-a-Service (BaaS), citado por 61% dos respondentes, com adoção por 75% dos entrevistados do setor financeiro.

3. Nuvem híbrida

Grande parte da estratégia de adoção da nuvem dos clientes é determinada por necessidades relacionadas à segurança. Segundo Gustavo Trevisan, diretor da unidade de soluções integradas da Capgemini, a tendência é que, dentro de alguns anos, a maioria das corporações passe a usar a nuvem híbrida para lidar com os desafios internacionais do ambiente macroeconômico e, assim, alcançar um retorno positivo de seus investimentos.

Até 2019, se os modelos privados internos e externos e os híbridos forem combinados, a nuvem privada/híbrida será claramente a opção de 75% dos entrevistados, deixando a nuvem pública "pura" com apenas 17%. Atualmente não há um modelo dominante de cloud no Brasil, com as pequenas companhias tendendo a utilizar a nuvem pública, enquanto as médias e grandes empresas estão utilizando mais intensamente nuvens híbridas.

4. Loja de Aplicações Corporativas

Ao avaliar as aplicações em desenvolvimento com o uso do modelo de software como serviço, destacam-se as ferramentas de ERP (gestão empresarial) e CRM (gestão de relacionamento do cliente) como as mais utilizadas, ambas apontadas por 31% dos entrevistados. No setor de bens de consumo, a adoção é ainda mais forte, com 73% das companhias consultadas já utilizando ERP como serviço e 66% adotando o CRM nessa modalidade. Esse dado reflete que as ferramentas de gestão empresarial e de relacionamento com o cliente são indispensáveis para a maioria das empresas, com um investimento significativo em sistemas legados e contratos - 69% ainda utilizam ferramentas de ERP e CRM da forma tradicional.

Para disponibilizar essas soluções nas organizações, o formato de Enterprise App Store (loja de aplicativos corporativos) deve ganhar corpo no Brasil, seguindo o exemplo do mercado norte-americano. Mais de 70% dos entrevistados afirmam já ter ou que pretendem contar, em até dois anos, com a oferta de softwares para seus empregados por meio de app stores internas. Por conta da popularização da mobilidade, esses programas serão oferecidos em repositórios disponíveis na nuvem.

5. Data Centers

O mercado de data centers, que tem como base a nuvem computacional, oferece um grande potencial de crescimento no Brasil. Uma pesquisa recente da consultoria Frost & Sullivan estima que o setor representa R$ 1,8 bilhão, com um crescimento médio anual de 9,5%, entre 2011 e 2018, quando atingirá cerca de R$ 5,6 bilhões. Essa expansão se evidencia principalmente devido ao grande desenvolvimento de aplicações e serviços que devem ser disponibilizados nos próximos anos.

Questionados sobre o modelo atual de data center utilizado, 44% dos entrevistados afirmaram possuir estrutura própria operada internamente, mantendo um alto grau de controle. Já 33% optam por data centers em instalações e gerenciamento terceirizados, enquanto 20% declaram ter estruturas próprias, mas gerenciadas por terceiros.

E como ficará esse cenário nos próximos dois anos? Segundo os entrevistados, a primeira opção deve ter uma queda de 14 pontos percentuais, com o segundo modelo recuando 10% e os data centers próprios gerenciados por terceiros saltando de 20% para 45%.