Após mudança interna, empresa foca em modelo de PaaS com nova plataforma Pacific

Por Rafael Romer | 26.03.2014 às 10:15

Com 33 anos de existência, a companhia norte-americana fornecedora de plataformas para desenovolvimento de aplicações corporativas Progress Software passou por uma série de mudanças durante sua história. De sua estratégia de produtos ao próprio nome - originalmente a empresa foi fundada como Data Language Corporation -, a Progress foi se moldando às demandas do mercado de desenvolvimento de software conforme ele se transformava com novas tecnologias.

Mas foi em 2012 que a empresa passou por aquela que pode ter sido uma das mudança mais drásticas de estrutura desde sua criação. Pela primeira vez, um executivo de fora da família fundadora da Progress, o ex-vice-presidente e diretor financeiro da Autodesk, Jay Bhatt, assumiria a posição de CEO da empresa.

A mudança no comando trouxe uma reformulação de estratégia. Sem mudar o seu foco original de fornecer plataformas para facilitar o desenvolvimento de aplicações corporativas, a nova visão da companhia focaria todos seus esforços em tecnologias e modelos de empacotamento de software e serviços voltados ao negócio na nuvem, no modelo da plataforma como serviço (PaaS), apostando no avanço da indústria de software nessa direção.

"Nós já estávamos pensando na nuvem antes, mas agora focaríamos em nos tornar fornecedores de plataformas para pessoas que quisessem desenvolver aplicações em nuvem", afimou a vice-presidente de estratégia da Progress, Colleen Smith, em entrevista ao Canaltech. "A ideia era não só ajudar a trazer nossos parceiros existentes para a frente, mas trazer novos vendedores idependentes de software (ISVs) que queiram desenvolver aplicações na nuvem, assim como pequenas e médias empresas (PMEs) que têm equipes de TI reduzidas para a construção de aplicações de negócios".

Até então, a empresa já trabalhava com parceiros que desenvolviam aplicações comercializadas na nuvem através de plataformas como a OpenEdge, que utiliza uma sintaxe semelhante ao inglês para o desenvolvimento simplificado de software. Entretanto, a companhia ainda não fornecia ela própria nenhuma solução em nuvem para seus parceiros.

Para focar no novo objetivo da companhia, ao longo de 2013, a Progress se desfez de dez empresas adquiridas anteriormente e, em junho do mesmo ano, anunciou a aquisição da Rollbase, empresa responsável por uma série de ferramentas de desenvolvimento para o modelo de PaaS, baseada no Vale do Silício. A aquisição, que não teve seus valores divulgados, resultou no Switch Progress Pacific, uma plataforma que concentra diversas tecnologias para desenvolvimento de aplicações em nuvens privadas, públicas ou no modelo on-premisse.

"Nós queríamos uma empresa que se equilibrasse com a nossa plataforma (OpenEdge), assim como com nossos clientes e ISVs, mas que também fosse 'legal' o suficiente para trazer novos parceiros", afirmou Colleen. De acordo com a executiva, a plataforma criada pela Rollbase chamou a atenção da empresa por trazer características avançadas de segurança, permitir a divisão de usuários em diferentes grupos de acesso, integração com múltiplas bases de dados, além de ter foco no setor coorporativo e se integrar com sistemas Windows, Mac OS e Linux, onde grande parte do desenvolvimento acontece. "É nossa visão de uma plataforma guarda-chuva, que suporta desenvolvimento na nuvem, acesso a dados na nuvem, desenvolvimento on-premisse com implementação na nuvem. É o produto que representa a nova visão que anunciamos em 2012", explica.

O lançamento oficial da plafaforma foi feito durante a convenção da empresa em Boston, em outubro do ano passado, e deu início a um processo de "evangelização" de novos e antigos clientes baseado em cases de ISVs e parceiros que já haviam começado a implementação da plataforma anteriormente.

Atualmente, cerca de 70% dos parceiros da Progress são ISVs que montam suas aplicações corporativas na plataforma de desenvolvimento do fornecedor. O restante dos parceiros da empresa é composto principalmente por integradores, distribuidores e provedores de hospedagem de serviços. De acordo com a empresa, hoje a Progress possui mais de 2 mil parceiros em sua rede e cerca de 4 milhões de usuários de aplicações desenvolvidas em suas plataformas.

Diferente de empresas que fornecem suas soluções através de um modelo de assinatura mensal tradicional, a Progress foca seus ganhos nos resultados de seus clientes. Na prática, isso significa que conforme seus parceiros aumentam seus números de vendas, mais a empresa recebe.

O modelo de negócio cria uma interdependência entre a Progress e seus parceiros, o que justifica o investimento intenso da empresa na capacitação ISVs. Uma das inciativas da empresa, por exemplo, apelidada de SaaS Empowerment Program, foca em ajudar parceiros da empresa em realizar a transição de um modelo on-premisse para o modelo da nuvem.

"Agora todos dentro da Progress se veem mais como um provedor de serviços", explica Colleen. "Isso muda a organização e a cultura da empresa. Eu preciso ter certeza que estou fornecendo um serviço de alta qualidade, porque no mundo da nuvem, se você não gosta do meu serviço, pode procurar outro".

Na semana passada, a executiva realizou uma visita ao Brasil, onde realizou reuniões com cerca de 80 parceiros de negócios, incluindo o provedor local de infraestrutura (IaaS), TIVIT. A empresa já tem alguns clientes no país que utilizam a plataforma Pacific, mas ainda não pode abrir informações sobre cases específicos. "A primeira aquisição do Pacific no Brasil foi feita no mês passado e foi um caso muito interessante, de uma organização de TI que estava pressionada para entregar requerimentos", explicou Marcos Primo, gerente da Progress no Brasil.

Questionado sobre como a empresa vê o cenário da adoção da nuvem no país, Primo afirma que a Progress tem encontrado diferentes realidades entre parceiros de negócios, que se dividem em grupos que ainda dependem de investimentos em infraestrutura para começarem a pensar na nuvem e outros que já veem no modelo uma alternativa de crescimento. "Nós estamos vendo diferentes cenários, mas a tendência é muito positiva. Acho que em dois ou três anos o Brasil terá muitas aplicações na nuvem e a competição estará um pouco diferente de hoje", afirma.