Ambientes multi-nuvem: a computação empresarial atualmente

Por Colaborador externo | 12.11.2014 às 16:00

por Roberto Trinconi*

Na última década a computação em nuvem se tornou, sem sombra de dúvidas, um componente essencial para a empresa moderna. Ela evoluiu de software como serviço voltado para um determinado número de aplicativos empresariais para plataforma de negócios que engloba diversos dispositivos e sistemas operacionais, habilitando novas localizações praticamente do dia para a noite.

Atualmente a computação em nuvem está repleta de fornecedores que oferecem tudo e qualquer coisa como serviço – de segurança e gerenciamento de soluções em nuvem a ofertas de virtualização para ambientes de nuvem pública, privada e híbrida. Esta variedade de opções pode fazer com que a empresa solicite ajuda externa para determinar exatamente qual deve ser a aparência de seu ambiente.

Como, por exemplo, escolher se determinados aplicativos serão mantidos on ou off, levando em consideração a economia da nuvem pública, a flexibilidade do modelo hibrido e a segurança oferecida pela arquitetura privada. As empresas estão cada vez mais complexas e preocupadas com a segurança, mas trabalham sob orçamentos apertados quando se trata desse ambiente.

Contudo, se o crescimento dessa área da computação nos ensinou algo, é que não há uma abordagem única para nuvem empresarial. Diversas empresas começaram a implantar modelos híbridos com aplicativos em nuvens públicas ou privadas e capacidade de alternância a depender das necessidades no momento.

As faces do ambiente de nuvem empresarial

Nós ainda estamos no início da evolução de mercado da nuvem, conforme evidenciado pela recente pesquisa da Forrester. Enquanto diferentes unidades de negócios em uma empresa buscam migrar aplicativos para a nuvem em velocidades distintas, elas podem já ter adotado um modelo de nuvem discrepante em outra unidade de negócios, que pode ter migrado aplicativos em um modo mais lento. Os ambientes de nuvem empresarial formam uma teia complexa de provedores, gerentes, fornecedores de serviços de segurança e muito mais.

O interessante é que diversas empresas adotaram um ambiente multi-nuvem sem perceber. De acordo com o relatório da Forrester de 2013, 58% das empresas utilizam mais de um fornecedor, apesar de 71% apontarem que preferem apenas um para serviços de nuvem end-to-end. A realidade é que as companhias acreditam que precisarão adotar plataformas multi-nuvem, tendo em vista que uma seria insuficiente para atender todas as necessidades.

Problemas com segurança e privacidade são as causas apontadas por 43% dos participantes do estudo como barreiras para adoção da nuvem. No entanto, estas questões não impedem a utilização e o crescimento dessa tecnologia. Segundo outro estudo do Everest Group, as taxas de adoção da nuvem privada e híbrida crescem em 66% e 44% ao ano, respectivamente. A nuvem híbrida, em particular, é preferência entre grandes empresas e a expectativa é de que metade delas realize essa implementação até 2017.

Diante de notícias sobre o aumento das violações a nuvens públicas, que acarretam perdas e inconveniências, as preocupações são válidas. Essa tecnologia pode deixar as organizações mais vulneráveis a ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas, mas são muitas as opções de segurança end-to-end voltadas para os aplicativos da nuvem empresarial. Os incentivos para aumentar os cuidados nas empresas crescem junto com a tendência de mover os negócios para a nuvem.

Adoção e consolidação crescente

Esse crescimento acontece porque as recompensas oferecidas pela nuvem empresarial são muito boas para serem ignoradas. Pode-se notar que 72% das empresas no relatório da Forrester citaram melhorias na escalabilidade devido à tecnologia de nuvem. Dois terços reportaram que podem quantificar economias de custo. Por fim, 64% informaram que os investimentos na nuvem ajudaram a inovar as ofertas e entrar em novos mercados.

Do lado do fornecedor, conforme o mercado amadurece e as organizações se movem para uma abordagem end-to-end mais simplificada, eles se tornam mais competitivos ao dedicar atenção às principais preocupações das empresas: segurança, confiabilidade, gerenciabilidade e preço. As organizações que arquitetam e gerenciam seus ambientes de nuvem para refletir tais características estarão mais bem equipadas para lidar com cargas de trabalho, desafios e oportunidades de lucro no futuro.

*Roberto Trinconi é diretor de Enterprise Services da Unisys para América Latina