5 mitos sobre APIs que deveriam ser extintos

Por Thiago Lima | 17 de Setembro de 2018 às 17h43

O mundo de software quebrou o velho paradigma de que era inseguro deixar dados e sistemas na nuvem. Foi uma verdadeira guerra entre o mundo on-premise vs cloud, e já está claro que temos um vencedor.

Há cinco anos, a maior parte dos executivos de TI diziam que não era seguro operar sistemas na nuvem, mas agora é completamente diferente. Todos querem estar na nuvem, para reduzir custos e aumentar eficiência operacional.

Por outro lado, a indústria de software possui um grande número de sistemas legados e, seguindo o movimento de transformação digital, a preocupação agora é em prover soluções na nuvem. Este não é um desafio fácil, e um dos caminhos para isso é a construção de APIs.

Se você não sabe o que são APIs, te explico. APIs, ou Application Programming Interface, é a forma mais comum para compartilhar a inteligência de backend a comunidade de desenvolvedores. Com as APIs, eles são capazes de construir interações de dados, como: get, post, put e delete. As APIs podem realmente ser estratégicas para construção de um ecossistema, possibilitando integrações, extensões, plugins, automações e muito mais.

Imagine, por exemplo, que você fornece um sistema CRM, e precisa dar a possibilidade de seus clientes criarem extensões para seu sistema, como gerenciamento de comissões ou um dashboard. Para conseguir isso, não perdendo escala (e claro, mantendo seu time de desenvolvimento pensando no seu produto), você poderia criar e compartilhar sua própria API.

Porém, pesquisar sobre o tema, se tornou perigoso, pois o termo APIs está extremamente na moda, e por isso, existem diversos mitos ao redor do assunto. Por isso, vou listar os principais mitos que tenho escutado:

1. Preciso de um API Management para iniciar minha estratégia de API

Claro que é recomendado que você utilize um API Management, e este pode ser um atalho para entrar neste mundo, com uma abordagem mais profissional. Mas não, isso não é obrigatório.

Em muitos casos, você não precisará de um API Management, principalmente se você não tem um time com maturidade suficiente para gestão de uma ferramenta desse tipo.

As plataformas de API Management, são muito úteis se você precisa:

  • Dashboards para análise de acessos, engajamento, performance, etc.;
  • Governança de API;
  • Gestão do ciclo de vida de APIs (planejamento, desenvolvimento, testes, deploying e retiring da API);
  • Prototipação e versionamento;
  • Monetização da API.

Por outro lado, se você precisa de uma simples interface para expor seu backend, você pode construir uma API pura, de forma muito simples, utilizando node.JS e swagger.

2. Ferramentas de API Management são muito caras

Outro mito comum, é que estas plataformas são muito caras. Existem diversas, e excelentes, plataformas open source que você pode utilizar como API management, como Kong e WSO2.

De fato, implementar uma gestão robusta de APIs não é um processo fácil, e existem diversas preocupações a se pensar, mas o preço da plataforma (definitivamente) não é a maior objeção.

Lembre-se que o primeiro passo para iniciar sua estratégia de APIs está em definir seus objetivos, a escolha da melhor ferramenta ou tecnologia é apenas o segundo passo.

3. É muito fácil engajar uma comunidade de desenvolvedores em torno das minhas APIs

Quando você pensa em expor suas APIs ao público, a primeira coisa que você espera é que um grande número de desenvolvedores a utilizem.

Um engano comum entre as empresas de software, é esquecerem que para que isso aconteça, será necessário criar e engajar uma comunidade de desenvolvedores, e este é um trabalho duro a se fazer.

O fato é que você vai precisar entender como atrair e engajar os desenvolvedores em seu ecossistema, se quiser ser bem sucedido em sua estratégia de APIs.

Os maiores casos de sucesso, são de empresas que se preocuparam em construir uma comunidade em torno de seu ecossistema. Alguns exemplos interessantes, temos Microsoft, Atlassian, Selesforce, etc.

4. As APIs precisam ser um espelho dos dados do meu banco de dados

Se você acredita que construir APIs, é expor suas entidades de dados, você está completamente enganado!

Recentemente, eu fui a uma grande empresa de software do Brasil, e o arquiteto de software deles me disse: “Nós somos muito maduros com APIs. No momento temos todas nossas entidades de dados expostas. São mais de 900 endpoints em nossa documentação da API.”

Minha resposta foi: “A API não é uma interface de bypass. Você precisa abstrair a complexidade de suas entidades de dados, e simplificar seu modelo de negócios em uma estratégia de API".

Tenha bastante cuidado com isso. Para construir esta estratégia, você precisa desenhar muito bem a inteligência dos endpoints que serão expostos aos desenvolvedores.

5. As APIs são uma linguagem universal para a comunicação entre as aplicações

Muito calma, meu amigo. Eu concordo que APIs são a forma mais simples para construção de integrações, principalmente, se você está comparando com webservices SOAP, banco de dados, e outras formas.

Mesmo assim, existem diversos assuntos a serem considerados na criação de uma integração, independente da tecnologia escolhida. Por exemplo: Fluxos e protocolos de autenticação, transformação de dados, pooling, tratamento de erros, dados em massa, e muito mais.

Se você é um desenvolvedor, e não quer sofrer com o desenvolvimento de integrações de software, tenho certeza de que você deveria utilizar um iPaaS - Integration Plataform as a Service, como o LinkApi, Mulesoft, Jitterbit, Elastic.io, etc.

APIs não são mais apenas uma tendência, então se você é uma empresa de software, por favor, esteja atento e inicie sua estratégia de API urgente.

Espero que esse post tenha ajudado, e ficarei aqui torcendo para que sua empresa construa a melhor estratégia de APIs. Se você já ouviu outros mitos sobre o assunto, fique a vontade para compartilhar nos comentários.

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