Uso do Google para pesquisar sintomas pode tornar as pessoas “mais doentes”

Por Redação | 08 de Setembro de 2016 às 14h23

A piada de que todas as pesquisas relacionadas a sintomas na internet resultam em câncer pode muito bem estar se transformando em um problema de saúde pública. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos apontou que 72% dos norte-americanos procuram por informações sobre o que estão sentindo antes de consultarem médicos e, muitas vezes, esse comportamento acaba gerando consultas desnecessárias com gastos anuais que devem bater os US$ 20 bilhões em 2016.

É um comportamento que os médicos estão chamando de “cybercondria”, ou uma hipocondria virtual. Apesar de o Google apontar que apenas 1% de todas as buscas globais são sobre questões de saúde, o estudo mostra que nove em cada dez pacientes com sintomas simples chegaram, de alguma forma, a doenças sérias, graves e até mesmo raras por meio das pesquisas via internet.

A partir daí, surgem diversos problemas. O primeiro, e mais grave, é o fator psicológico, que faz com que as pessoas se desesperem e acabem se submetendo a procedimentos e tratamentos intrusivos, complicados e caros, muitas vezes sem necessidade. Isso, por exemplo, teria levado os “efeitos iatrogênicos” a se tornarem a terceira causa mais comum de mortes nos EUA – aquelas causadas por efeitos colaterais de medicamentos ou procedimentos clínicos. A relação entre as duas coisas ainda não foi comprovada empiricamente, mas já é consenso entre os médicos.

Isso sem falar nas salas de espera lotadas e médicos mais estressados diante de pacientes que chegam de casa com um diagnóstico formado e pilhas de material impresso da internet. Muitos não saem da sala sem um pedido de exame ou receita de medicação quando, muitas vezes, seus problemas poderiam muito bem ser resolvidos com uma aspirina e um pouco de repouso.

Há quem diria, entretanto, que é melhor prevenir do que remediar. Mas isso não é necessariamente quando se observa o fato de que, de todos aqueles que procuraram informações sobre seus sintomas na web, apenas metade efetivamente procuraram um médico. Os outros permaneceram esperando, observando o que iria acontecer – e lidando com a possibilidade de efetivamente terem algo grave –, ou, pior ainda, recorreram à automedicação.

Algumas medidas poderiam ser tomadas não apenas pelo “Dr. Google”, mas também pela mídia em si para solucionar algumas destas questões. Protocolos de busca mais inteligentes e adequados, por exemplo, poderiam ser implementados de forma que as pesquisas se tornem mais assertivas, enquanto a cobertura midiática e os comerciais poderiam reduzir o tom alarmista. Em ambos os casos, o benefício seria uma redução no nível de ansiedade dos possíveis pacientes, bem como uma instrução maior sobre sintomas e doenças.

Fonte: Quartz