Usar o Tinder não garante que você vai transar mais, revela estudo

Por Jessica Pinheiro | 21 de Maio de 2018 às 12h18

Um estudo feito Universidade de Ciência e Tecnologia Norueguesa (NTNU) com 641 estudantes entre idades que variavam de 19 a 29 anos revelou que usuários de aplicativos de encontros geralmente são mais abertos a relacionamentos de curto prazo e encontros que resultam em sexo puramente casual. Todavia, isso não necessariamente significa que as pessoas que usam apps como o Tinder, por exemplo, consigam transar mais do que quem não usa esse tipo de solução.

De acordo com o professor Leif Edward Ottesen Kennair, do Departamento de Psicologia da NTNU, “os aplicativos se tornaram a nova arena pública de encontros. Mas, em grande parte, as pessoas que os usam são as mesmas que você encontra de outras formas”. Isso significa que os apps de encontro simplesmente se tornaram uma maneira mais fácil de conseguir um encontro com outra pessoa. Para essa pesquisa, inclusive, cerca de metade dos alunos que responderam às perguntas usavam aplicativos de encontros.

Ainda assim, as pessoas que você encontra por meio de um app do gênero são as mesmas que você poderia encontrar andando pela cidade, no trabalho, em uma reunião, em uma caminhada ou fazendo qualquer outra atividade ao ar livre. O resultado final seria o mesmo. Mons Bendixen, professor associado do Departamento de Psicologia da NTNU, conclui, portanto, que os usuários de aplicativos de encontro não possuem mais parceiros sexuais casuais do que os que não utilizam os serviços.

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(Imagem: Choque de Cultura)

As orientações sociais, isto é, o quanto a pessoa está aberta a relacionamentos sexuais de curto prazo, que não levam a algo mais sério depois, também é um forte fator para essa afirmação, uma vez que até mesmo os usuários mais abertos ou irrestritos tendem a usar aplicativos de encontros baseados em imagens com mais frequência do que a maioria das pessoas. Segundo Trond Viggo Grøntvedt, pesquisador do Departamento de Saúde Pública e Enfermagem da NTNU, “nada sugere que as pessoas usem os aplicativos de namoro mais [vezes] porque são mais ou menos atraentes como parceiros sexuais do que a maioria das pessoas”.

Existe, ainda, a questão do gênero, uma vez que a pesquisa conclui que as mulheres gastam mais tempo em aplicativos de encontros do que os homens. Kennair alega que as pessoas do sexo feminino “são mais exigentes”, uma vez que elas “têm mais a perder ao se envolverem com parceiros sexuais de baixa qualidade”, e isso está intimamente relacionado às razões evolutivas.

Por outro lado, os integrantes do sexo masculino são mais eficientes, escolhendo em menos tempo e tomando decisões mais rápidas sobre com quem querem se encontrar ou não. Para Bendixen, inclusive, “os homens costumam iniciar conversas e estão mais dispostos a encontrar parceiros”.

Também existem razões para as pessoas usarem mais aplicativos de encontros. Os entrevistados de ambos os sexos alegam que o motivo mais importante é a distração. Todavia, de acordo com Ernst Olav Botnen, autor do estudo e psicólogo clínico, “os homens tendem a relatar seus desejos de sexo casual e relacionamentos de curto prazo como uma razão para usar aplicativos de namoro. Mas deve-se notar que o mito de que homens em aplicativos de namoro só procuram sexo casual não é correto. [Os usuários] desses aplicativos também buscam parceiros de longo prazo, mas em menor grau do que [os que buscam] parceiros a curto prazo”.

“As mulheres usam aplicativos de namoro para se sentirem melhor sobre si mesmas, mais do que os homens”, afirma Bendixen, por sua vez. Além disso, uma pequena parcela dos participantes da pesquisa afirmou estarem em um relacionamento e, ainda assim, usavam os aplicativos de encontros. Embora exista o fator da infidelidade, este caso parece ser mais raro.

Os resultados do novo estudo dos pesquisadores foram publicados recentemente na revista online Personality and Individual Differences.

Fonte: Eureka Alert

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