Pesquisa mostra que prática do “sexting” é comum entre menores de idade

Por Redação | 29 de Março de 2016 às 13h20
photo_camera Divulgação

A popularização do Snapchat rivaliza com as redes sociais e é vista como o grande trunfo pela companhia. Entretanto, uma pesquisa realizada no Reino Unido revelou que a ampla utilização do app também trouxe consigo um problema: a proliferação de imagens íntimas de menores de idade. Mais do que uma ilegalidade, o que por si só já é ruim o bastante, esse comportamento estaria se transformando em uma forma de bullying.

Os dados obtidos pela NASUWT, uma associação britânica de professores, são assustadores. De acordo com a pesquisa, mais de um terço das imagens íntimas compartilhadas por adolescentes foram enviadas por jovens entre os 12 e 13 anos de idade. Também existem casos de crianças, até mesmo algumas de escolas primárias, que já teriam participado desse tipo de prática.

E o pior de tudo isso é que o sexting – ato de enviar imagens íntimas para parceiros sexuais ou não – também já estaria se transformando em uma forma de bullying. Os professores responsáveis pelo estudo encontraram alguns casos em que os jovens, normalmente meninas, foram aliciados ou chantageados por colegas mais velhos, da mesma escola, para que enviassem imagens íntimas. Em pelo menos um dos casos, a foto enviada pelo Snapchat – que deveria desaparecer após a visualização – foi salva e compartilhada entre os colegas.

Além dos adolescentes, 1,3 mil professores do Reino Unido foram entrevistados sobre a prática, e a maioria deles afirmou saber que o sexting é uma constante entre os adolescentes. Quase a mesma quantidade deles afirmou também não saber exatamente o que fazer com relação a isso, e que postura devem tomar sobre um tema que normalmente não é compartilhado com eles, e, apesar de fazer parte do dia a dia da sala de aula, é também uma questão altamente íntima dos alunos.

Mais do que apenas uma forma de abuso, a prática do sexting por menores constitui infrações graves de leis federais. O estudo não entra em detalhes sobre isso, mas cita que as imagens íntimas produzidas pelos menores de idade podem acabar fazendo parte também de círculos de compartilhamento de pornografia infantil, agravando ainda mais um problema que já seria ruim o bastante apenas pela prática de bullying e chantagem entre os próprios adolescentes.

O estudo foi realizado de forma a alertar pais e professores sobre a situação, chamada pelos responsáveis de “epidemia”. Uma de suas principais conclusões se relaciona à necessidade de aulas de educação sexual nas escolas britânicas, e a ideia de que elas devem começar bem cedo. Os alunos precisam conhecer um pouco sobre a legislação e os perigos de enviarem esse tipo de conteúdo para os amigos, mesmo que próximos, pois a prática pode ter consequências graves.

Fontes: NASUWT, The Times