#MeuAmigoSecreto denuncia comportamentos machistas nas redes sociais

Por Redação | 24.11.2015 às 21:17

Fim de ano chegando e, com ele, os tão amados (ou tão temíveis) amigos secretos. Aproveitando a ocasião, um grupo de mulheres lançou nas redes sociais a hashtag #MeuAmigoSecreto para expor pensamentos e atitudes machistas já vividas ou observadas por elas. A “brincadeira” ganhou força e acabou viralizando no Facebook e no Twitter, se transformando em mais uma campanha de denúncia virtual.

Centenas de garotas já aderiram à campanha e casos de machismo explícito estão vindo à tona, mas elas também contam histórias de homens participantes de movimentos políticos e/ou sociais libertários cujas atitudes não são condizentes com seu discurso. O novo viral da internet serve para mostrar que todos nós, homens ou mulheres, temos “amigos” preconceitosos, e até mesmo abusadores, em nosso convívio. Por exemplo, aquele rapaz que se diz chocado quando alguma amiga tem suas fotos íntimas vazadas, mas, ao mesmo tempo, faz parte de um grupo de amigos no WhatsApp onde eles mostram as fotos de suas namoradas nuas. Ou ainda, aquele moço “bonzinho” de quem todo mundo gosta, mas que em uma discussão agrediu sua parceira em um momento de “descontrole”.

Separamos alguns desses relatos que mais parecem coisa de outro século, mas ainda acontecem (e muito!) em pleno ano de 2015:

#MeuAmigoSecreto

Que coisa, não?

#MeuAmigoSecreto

"Aberto"

#MeuAmigoSecreto

:O

#MeuAmigoSecreto

Aí o amigo envia para outro amigo, que repassa para outro, e assim por diante...

#MeuAmigoSecreto

Ué?

#MeuAmigoSecreto

Esposa ou empregada doméstica?

#MeuAmigoSecreto

Não pode compactuar, não!

#MeuAmigoSecreto

E quem disse que não dá pra se divertir com a esposa?

#MeuAmigoSecreto

Se a carapuça servir...

Não é exagero

Quem pensa que esses relatos são “exagero” por parte das mulheres está, na verdade, muito mal informado. Segundo pesquisas do IPEA e do Ministério da Saúde, a maior parte dos assediadores e abusadores faz parte do convívio das vítimas. Por exemplo, aqui no Brasil, 50% dos estupros registrados são de crianças com até 13 anos de idade, e desse número, 68% dos crimes foram cometidos por pessoas próximas, como parentes e amigos da família.

Outros casos de violência contra meninas e mulheres estão diariamente, e em grande quantidade, nas manchetes de jornais. Bater na namorada traidora é considerado aceitável, abusar da moça que bebeu demais numa festa, também. E quem nunca ouviu aquele ditado que erroneamente diz que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”? Pois a Lei Maria da Penha surgiu justamente para proteger essas mulheres, já que 63% dos brasileiros acreditam que o que acontece entre um casal (incluindo violência física) deva ser discutido somente entre os membros da família, quando, na realidade, a maioria das mulheres vítimas de agressão doméstica não têm o apoio da própria família.

Fica aqui o chamado para as leitoras do Canaltech compartilharem suas histórias usando a tag #MeuAmigoSecreto (anonimamente mesmo, pois a intenção aqui não é expor pessoas, e sim denunciar o machismo), e também o pedido para que os homens acompanhem a campanha, se conscientizem e ajudem a conscientizar os amigos.