Mensagens racistas postadas na internet são expostas em outdoors pelo Brasil

Por Redação | 11 de Novembro de 2015 às 15h16
photo_camera Divulgação

Em julho deste ano, as redes sociais foram tomadas por mensagens de apoio à jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju, que no dia 3 do mesmo mês foi alvo de comentários racistas na página do Jornal Nacional no Facebook. Por conta desse episódio, que infelizmente não é isolado e figura como um dentre vários casos na internet, a ONG Criola lançou uma iniciativa que expõe essas mensagens preconceituosas em grandes outdoors espalhados pelo Brasil.

Basicamente, a campanha consiste em exibir publicações reais postadas no Facebook contra Maria Júlia, justamente nas cidades onde moram as pessoas que fizeram esses comentários. Os locais incluem municípios como Porto Alegre (RS), Americana (SP), Rio de Janeiro (RJ), Feira de Santana (BA), Recife (PE) e Vila Velha (ES).

Para preservar a identidade dos autores, foram ocultados seus nomes e rostos expostos nos outdoors. Dessa forma, a ideia do projeto é conscientizar as pessoas para que futuramente elas reflitam sobre as consequências de uma mensagem racista antes de postá-la nas redes sociais.

"Não é possível ignorar esses ataques e achar que não haverá consequências para os ofensores", destaca Jurema Weneck, fundadora da Criola. "Racismo é crime, segundo a Constituição brasileira, e no caso dos insultos na internet, independentemente de terem sido direcionados a uma pessoa conhecida ou não, os agressores infringiram a lei, e pior: a honra e dignidade das mulheres negras. A campanha visa expor essas situações e fazer com que a sociedade se posicione contra esse retrocesso", complementa.

Segundo um relatório da empresa SaferNet, mais de 86,5 mil casos de ódio a negros e outras etnias foram relatados em 17.291 sites. Isso representa um aumento de 34,15% em relação a 2013.

Veja abaixo algumas peças da campanha "Racismo virtual. As consequências são reais":

ONG Criola
ONG Criola

Recentemente, outro caso de racismo ganhou repercussão nacional. No dia 1º de novembro, a atriz Thaís Araújo sofreu várias ofensas em sua página no Facebook. No mesmo dia, a artista lamentou a situação e disse que acionaria as autoridades para investigar os criminosos. "É muito chato, em 2015, ainda ter que falar sobre isso, mas não podemos nos calar. Absolutamente tudo está registrado e será enviado à Polícia Federal. E eu não vou apagar nenhum desses comentários", escreveu.

Taís também agradeceu a milhares de mensagens de apoio de usuários que denunciaram os perfis à rede social. "Sempre que você encontrar qualquer forma de discriminação, denuncie. Não se cale, mostre que você não tem vergonha de ser o que é e continue incomodando os covardes. Só assim vamos construir um Brasil mais civilizado", disse.

A atriz prestou depoimento à polícia do Rio de Janeiro, que suspeita que os ataques foram planejados com antecedência por uma quadrilha organizada para a prática de crimes de preconceito. Também há a suspeita que esse grupo é o mesmo que enviou os comentários racistas sobre Maria Júlia Coutinho na página do Jornal Nacional, em julho.

Fontes: B9, G1

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