Memória digital está prejudicando memória humana, revela estudo

Por Redação | 09 de Outubro de 2015 às 12h14

Segundo um estudo conduzido pela empresa de cibersegurança Kaspersky Lab, o uso indiscriminado de tecnologias digitais está afetando consideravelmente a memória dos seres humanos. Isso porque as pessoas estão recorrendo cada vez mais a computadores e outros dispositivos para armazenar novas informações, dispensando o uso de seus próprios cérebros.

A pesquisa mostrou que muitos adultos que ainda se lembravam de números de telefone durante a infância não conseguiam memorizar os números de telefone do trabalho ou de parentes próximos. Hoje, por exemplo, é comum anotar compromissos e informações em dispositivos eletrônicos em vez de armazenar conhecimento ou lembrar de atividades utilizando apenas o cérebro. Para Maria Wimber, da Universidade de Birminghan, o hábito de utilizar as máquinas para buscar informação "impede a construção de memórias de longo prazo".

Foi constatado que mais de 33% dos entrevistados pela pesquisa afirmaram que recorreriam primeiro a computadores e dispositivos móveis para buscar informações do que à própria memória. Isso, de acordo com a pesquisa, gera um impacto de longo prazo no desenvolvimento das memórias. "Nosso cérebro parece guardar informações cada vez que tenhamos de lembrar delas e ao mesmo tempo esquecer aquelas que não são tão importantes", explica Wimber.

Wimber explica que o processo de memorização de dados é "uma forma muito eficiente para criar uma memória permanente. Por outro lado, buscar informações continuamente na internet não cria uma memória sólida e duradoura".

Foi constatado ainda que 45% dos adultos conseguiam se lembrar do número de casa quando tinham 10 anos de idade, enquanto 29% conseguiam se lembrar dos números de seus filhos e 43% conseguiam lembrar do número do telefone do trabalho.

A Kaspersky Lab concluiu que as pessoas estão cada vez mais acostumadas a usar computadores como uma "extensão" de seus próprios cérebros. Esse processo também é conhecido como "amnésia digital", onde as pessoas se esquecem de informações importantes por acreditam que podem recorrer a elas imediatamente na internet.

Outro ponto preocupante levantado pela pesquisa é a tendência cada vez maior de armazenar memórias pessoais em formato digital, como fotografias que podem ser perdidas ou até mesmo roubadas. Wimber alerta para o "risco de que o registro constante de informação em dispositivos digitais nos torne menos propensos a guardar informações de longo prazo e até nos distrair a ponto de não conseguirmos memorizar corretamente um acontecimento da forma como ele ocorre".

O estudo da Kaspersky Lab analisou os hábitos de memória de 6 mil pessoas em países europeus como Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda.

Via BBC

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/10/151007_dependencia_memoria_digital_lgb

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