Inteligência artificial diz se você é gay analisando uma foto de seu rosto

Por Patrícia Gnipper | 11 de Setembro de 2017 às 10h15

Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Stanford tem causado polêmica: a equipe desenvolveu uma inteligência artificial que, após compilar dados obtidos por meio de fotografias de 35 mil pessoas, é capaz de determinar a orientação sexual de alguém somente analisando uma imagem de seu rosto.

Para homens, a precisão da análise da IA é de 81%, enquanto fotos de mulheres têm 74% de acertos. Já caso o sistema possa analisar cinco fotos da mesma pessoa, esse percentual sobe para surpreendentes 91% no caso de homens, e 83% para mulheres.

Os pesquisadores Michal Kosinski e Yilun Wang usaram fotos de pessoas reais encontradas em sites de relacionamentos, e compararam as análises dos algoritmos com a sexualidade informada por essas pessoas nesses sites. Então, a IA aprendeu alguns detalhes faciais para descobrir se outras pessoas são homo ou heterossexuais.

O que a IA descobriu

O sistema determinou que homens gays tendem a ter mandíbulas mais estreitas, narizes alongados e testas mais largas do que homens hetero, enquanto mulheres lésbicas têm mandíbulas mais largas e testas mais curtas do que as que se interessam sexualmente pelo gênero oposto.

Análise da IA sugerindo se a pessoa é hetero ou gay (Reprodução: Stanford)

Quanto à diferença na precisão da análise dos rostos masculinos e femininos, os pesquisadores ainda não têm certeza do motivo, mas acreditam que a sexulidade feminina talvez seja mais fluida do que a masculina (tendo um maior número de mulheres bissexuais, por exemplo, em comparação com os homens), mas outra possibilidade cogitada é a de que mulheres talvez tenham menos diferenças físicas com relação à sua sexualidade do que homens.

O estudo também afirma que a tecnologia é capaz de prever o posicionamento político de uma pessoa, bem como seu estado psicológico e, até mesmo, sua personalidade — tudo com base apenas na análise de seu rosto.

Polêmica ética e moral

A novidade causa polêmica por conta de uma questão ética e moral: a sexualidade é algo construído socialmente, ou é algo que já vem definido no indivíduo naturalmente? Enquanto grupos sociais embasam sua luta contra o preconceito usando a construção sexual como argumento (uma vez que uma sociedade heteronormativa “empurra” a heterossexualidade como padrão para todos e, por isso, muitas pessoas homossexuais se obrigam a “estar no armário”), o estudo desses pesquisadores pode confirmar que a sexualidade pode ser definida, sim, geneticamente. Portanto, a sexualidade não seria realmente uma opção, mas sim algo natural.

No entanto, determinar a sexualidade de um ser humano com base em suas feições abre um precedente perigoso: pessoas com traços teoricamente relacionados à homossexualidade, mas que são heterossexuais, podem acabar sofrendo consequências da homofobia por conta disso. Ainda, governos autoritários podem iniciar algum tipo de perseguição com base nesse tipo de análise.

Vale lembrar que características físicas foram consideradas pelos nazistas para determinar se uma pessoa estava dentro dos ideais arianos, e há registros de pessoas com ascendência judia que passaram ilesas pela análise.

Via: The Next Web

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