Indonésia quer rastrear estupradores com chips

Por Redação | 31 de Maio de 2016 às 11h34

Em um momento em que o Brasil discute um caso de abuso sexual em massa e a cultura do estupro, uma ideia vinda da Indonésia pode acender ainda mais esse debate. O Ministério da Justiça do país asiático está propondo a instalação de chips subcutâneos em condenados pelo crime, de forma que eles possam ser rastreados em qualquer lugar, mesmo que já tenham cumprido suas penas.

A ideia das autoridades seria a implantação de um pequeno dispositivo no calcanhar, que, por meio de GPS, enviaria a localização do indivíduo diretamente para os sistemas policiais. A instalação do chip seria feira, inicialmente, apenas em condenados por abuso infantil e vem em resposta a um caso escabroso: em abril, uma menina de 14 anos foi estuprada enquanto voltava da escola. O caso teria passado despercebido pela mídia não fossem os protestos de grupos de apoio aos direitos das mulheres.

Apesar da proposta, ainda não há a tecnologia necessária para fazê-la funcionar. Chips subcutâneos como os imaginados pelo governo da Indonésia simplesmente não existem, e as menores versões, usadas, por exemplo, para rastrear o movimento de pássaros e animais silvestres, têm o tamanho de uma moeda e não possuem conexão, exigindo o download de dados diretamente da própria unidade, o que derrotaria a proposta. Além disso, eles exigem manutenção, como troca de bateria, para funcionarem.

Enquanto isso, o que se tem no mercado são os chips RFID, que podem ser implantados sobre a pele. Entretanto, eles nem de longe servem para esse propósito, sendo mais uma maneira de identificação por aproximação, abrangendo um raio de apenas alguns metros e auxiliando na organização de estoques ou facilitando a vida dos adeptos do biohacking, que colocam tais dispositivos nos dedos para não mais precisarem digitar senhas.

Essa tecnologia, entretanto, é utilizada em outros lugares do mundo. No Reino Unido, por exemplo, as autoridades já consideraram “chipar” criminosos em condicional, enquanto nos Estados Unidos, uma tornozeleira RFID é colocada nos presos de algumas prisões. A ideia, entretanto, é agilizar e facilitar a identificação, e não rastrear os criminosos.

Também não é a primeira vez que o governo indonésio fala em ideias assim. Em 2008, as autoridades submeteram para aprovação um plano para inserir chips de rastreamento nos cidadãos portadores do vírus HIV em sua província mais pobre, enviando sinais para agências oficiais sempre que o sangue infectado entrasse em contato com soronegativos como forma de acompanhar a dispersão da doença. A ideia, claro, não foi para a frente, não apenas pela falta de tecnologia para fazer isso, mas também pela infração de direitos humanos que ela representa.

Fonte: Global Post