Hacker pioneiro é acusado de assediar sexualmente adolescentes entre 1999 e 2007

Por Redação | 20 de Novembro de 2017 às 18h20
divulgação

John Draper, também conhecido como Captain Crunch, é um hacker que ganhou fama no início da década de 1970 por descobrir como utilizar um apito plástico que emitia som na exata freqüência de 2600 Hz, apito este que vinha como brinde numa marca de cereais matinais para realizar chamadas telefônicas de longa distância de forma gratuita. Naquela época, ligações de longa distância eram caríssimas, e a descoberta bizarra chamou atenção de muita gente. Ele também é apontado como um dos co-fundadores da Apple, dado seu papel inspirador na carreira de Steve Jobs e Wozniak.

Entretanto, o hacker old-school está sendo acusado de ter abordado adolescentes com propostas sexuais de forma não consensual e invasiva durante eventos de tecnologia ocorridos entre os anos de 1999 e 2007, quando Draper tinha entre 56 e 64 anos de idade.

Ele ainda não comentou publicamente o assunto, mas, após as alegações ganharem visibilidade na web, seu perfil pessoal no Twitter publicou uma mensagem sobre o notório hacker estar começando uma campanha para doar a associações de proteção a pessoas autistas parte dos fundos arrecadados com a venda de uma biografia, que conta como é a vida de Draper enquanto portador da Síndrome de Asperger, como pode ser visto abaixo:

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Não se sabe se a publicação foi feita com algum grau de conexão com as alegações de assédio sexual. Entretanto, uma nota em seu site explica que Draper só foi diagnosticado tardiamente como portador da Síndrome de Asperger, em 2008, já com 65 anos. A Síndrome de Asperger é comumente associada a dificuldades na comunicação interpessoal, com mensagens voltadas para o pragmatismo e muito sintéticas, especialmente no que diz respeito à expressão de sentimentos.

Contudo, sintomas da síndrome não tornariam plausíveis os comportamentos relatados pelas vítimas de Draper. Matt Blaze, um dos autores das denúncias, relatou através de uma publicação no Twitter que Draper teria se passado como um parente para buscá-lo na escola quando ele tinha apenas 14 ou 15 anos, como visto abaixo:

As associações de proteção às pessoas dentro do espectro autista que receberiam as doações da campanha veiculada por John Draper se mostraram preocupadas com a possibilidade de o hacker estar utilizando o diagnóstico para se esquivar de culpa pelos assédios supostamente cometidos.

Elaine Nicholson, chefe-executiva do braço britânico da Action for Aspergers, informou em entrevista à BBC que "nós não conhecemos esse homem e certamente não aceitaremos nenhuma doação se o caráter dele estiver de fato manchado e vidas tenham sido maculadas como resultado".

Ainda, o presidente da Sociedade Americana de Autismo, Scott Badesch, afirmou que, caso recebam alguma doação da campanha de John Draper, ou devolverão o dinheiro ou o utilizarão para financiar ações de proteção de pessoas autistas que tenham sofrido abusos sexuais.

Fonte: BBC

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