Há quem use e-mails corporativos para contratar prostitutas no Vale do Silício

Por Redação | 26 de Dezembro de 2017 às 16h20

A Newsweek descobriu que funcionários do Vale do Silício estão usando e-mails corporativos de empresas como a Microsoft e Amazon para contratar prostitutas. Para tentar disfarçar a coisa toda, alguns desses homens chegaram a responder a esses contatos dizendo que "este endereço de e-mail está incorreto", enquanto pelo menos um funcionário da Oracle respondeu a um cafetão confirmando a "compra".

Foram descobertos centenas de e-mails do tipo, e a coisa fica ainda mais grave porque muitas dessas prostitutas seriam imigrantes asiáticas ilegais, vítimas do tráfico sexual de pessoas. Segundo o estudo, muitos dos homens precisam enviar esses e-mails a partir de suas contas corporativas porque os cafetões exigem uma comprovação do tipo para garantir que a pessoa trabalha mesmo naquela empresa.

Os e-mails foram descobertos graças a uma ação da justiça norte-americana que estava investigando e-mails de bordéis, tudo como parte de uma investigação oficial. Para piorar a situação, a contratação de prostitutas muitas vezes seria feita para altos executivos das gigantes da tecnologia. Foram analisados pelo menos 67 e-mails provenientes da Microsoft e 63 da Amazon, enviados e recebidos entre 2014 e 2016, além de mensagens contendo domínios da T-Mobile e Oracle, além de diversas outras empresas menores.

Para atrair os funcionários e executivos dessas empresas, vários bordéis usam sua proximidade com as sedes das companhias como publicidade, destacando a curta distância como uma vantagem. Segundo um estudo conduzido pelo Departamento de Justiça dos EUA, a região de Seattle tem registrado aumento na quantidade de ofertas sexuais do tipo, sendo que esses números mais do que dobraram entre 2005 e 2012. E esse aumento está de acordo com o crescimento da indústria tecnológica naquela área, confirmando a correlação entre as gigantes techs e a prostituição local.

A investigação também revelou que cada prostituta atende cerca de 5 a 15 homens por dia, e que, como elas não falam inglês muito bem, acabam usando apps de tradução de idiomas para se comunicar com os clientes. Somente um dos sites que atendem a região do Vale do Silício, por exemplo, registrou 1,2 milhão de visitas mensais em 2009, mas investigações recentes já conseguiram prender 17 homens e 1 mulher envolvidos no esquema de tráfico para prostituição, enquanto um diretor da Amazon e outro da Microsoft, cujos nomes não foram revelados, serão julgados em março de 2018. Já as trabalhadoras não foram penalizadas.

A relação entre o tráfico humano e o Vale do Silício

De acordo com outro estudo conduzido pela Polaris, organização que luta contra o tráfico humano, mais de 700 bordéis asiáticos estão localizados no Vale do Silício. Para Alex Trouteaud, diretor de políticas e pesquisas do Demand Abolition, o setor da tecnologia "rapidamente abraçou o tráfico" humano para fins sexuais.

Mas a Microsoft rapidamente se pronunciou publicamente sobre o caso, dizendo que a companhia "tem um longo histórico de cooperação com os agentes da lei e outras agências para combater o tráfico sexual e crimes relacionados", dizendo também que "a conduta pessoal de uma pequena fração dos 125 mil funcionários não representa de forma alguma a cultura" da empresa.

A Amazon, por sua vez, disse que uma investigação interna está em andamento, afirmando que "comprar atividades sexuais vai contra as políticas impostas aos funcionários da empresa". Segundo o comunicado, "quando a Amazon suspeita que um funcionário usou fundos ou recursos corporativos para atividades criminosas, a empresa imediatamente investiga e toma as devidas providências", podendo contar com a polícia para resolver a questão.

Fonte: Newsweek

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