Como lidar com os haters da Internet?

Por Ruam Oliveira
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A internet é um celeiro de grandes artistas, pessoas criativas, engajadas e inovadoras. É também palco de boas discussões sobre novos projetos, pesquisas e troca de informação. É na internet que muitas coisas começam a acontecer, como sementes, e depois tornam-se maiores no mundo real – algo como um Pokémon Go, por exemplo.

Mas, infelizmente, é nas redes que encontramos também um grande número de cidadãos preparados para criticar ofensivamente, apontar somente os erros, ridicularizar qualquer empreitada e diminuir o que quer que seja feito – seja isto de qualidade ou não. A estes damos a alcunha de “Haters”. E também, por infortúnios incompreensíveis, não tem como escapar deles. Se você usa a internet, simplesmente terá a “chance” de encontrar com algum deles.

Usando as palavras do ensaísta Elbert Hubbard: “Se quer escapar de um assassinato físico e moral, não diga nada, não faça nada, não seja nada – curta uma obscuridade, porque somente no esquecimento que se constrói uma falsa segurança”. Ou seja, para não ser criticado basta fazer uma porção de nadas. Apenas.

Por exemplo, para quem cria conteúdo online, é de se esperar que receba críticas negativas, claro, e provavelmente deve-se esperar também que os ocupados em “desmerecer” algum trabalho apareçam.

O jornalista Andrew Shaffer, em uma publicação onde apresentava o lançamento de seu livro, recebeu o seguinte comentário: “Eu vou comprar um só para poder queimá-lo”, e em outro comentário escreveram que o livro era “papel higiênico de emergência”. Haters dando as caras. Só que Andrew acabou fazendo algo que não é nem de longe recomendável: respondeu as ofensas – não de maneira ofensiva, mas irônica, porém, ainda assim, um erro.

O que leva alguém a ser hater? Para isso pode não existir uma resposta. Pode ser que eles estejam chateados, frustrados ou agirem assim por diversão mesmo. Muitas possibilidades.

Mas existem alguns passos que podem ser úteis na hora de evitar os haters:

1 – Não caia no jogo deles

Silenciar às vezes não significa hipocrisia, ainda mais se tratando dessa “classe” da internet. Porque tudo o que o hater mais procura é uma chance de continuar sendo hater. Diferente de Andrew, deixar que eles “falem sozinhos” é um meio de evitar que eles cresçam. Respondê-los não é a melhor opção.

Pode não ser uma tarefa das mais fáceis – ainda mais se o ódio disseminado for muito grande –, mas responde-los não os fará sumir, pelo contrário, dará impulso para que eles procurem novos meios de chateação. Como dito, muitas pessoas fazem isso por diversão, então não têm pressa em sair de uma discussão.

2 – Moderação dos comentários

Estamos falando de censura? Provavelmente um hater pensaria assim. Mas comentários ofensivos e odiosos não devem ter espaço reconhecido. Muitas vezes pessoas podem usar não só de palavrões para atingir alguém como também discursos que são ofensivos a grupos, por exemplo, que estão além daquele âmbito de discussão. Tem hater que acha que qualquer lugar é lugar para ser racista, por exemplo, mas não: Nenhum lugar é. E

tudo bem censurar isso

.

Apagar este tipo de comentários não significa deixar de ser democrático, mas não respeitar nem incentivar que eles aconteçam.

3 – Reflita sobre os “ataques”

Tarefa básica: Determinados comentários podem lhe ser úteis em quê? Pense. Algumas críticas negativas são sim muito importantes para o crescimento e também podem promover melhorias na sua forma de produzir algo. Se estas críticas existirem, estiverem bem embasadas, preste atenção nelas. Porém, este tipo de crítica provavelmente não virá de um hater, acredite.

Se o comentário for do tipo “papel higiênico de emergência”, não há nenhum motivo para guarda-los em mente. Eles não trarão nenhum efeito produtivo.

4 – Eles querem publicidade

Não há nada mais interessante do que ter sua voz ouvida e destacada, e muitas pessoas se orgulham de receber certa fama, inclusive a fama de ser hater. Quanto menos atenção eles receberem, menos interessados estarão em continuar.

Ter seus comentários ofensivos em destaque é uma espécie de prêmio para alguns. Responder ou comentar interações positivas podem tornar as ofensas menos visíveis, por exemplo. Então, ao invés de observar mais o que de negativo recebe, comece a valorizar o positivo.

5 – Não os guarde com você

Em estudo feito por pesquisadores da Universidade Case Western Reserve e da Free University de Amsterdam, descobriu que estamos mais propensos a guardar críticas negativas muito mais do que guardamos as positivas. A pesquisadora Roy Baumeister revela neste estudo que até mesmo as pessoas que são mais felizes tendem a observar e guardar mais as críticas negativas.

E para viver de forma saudável e conviver com este tipo de comentário, é preciso não os armazenar. Se Andrew Shaffer ficar a cada minuto recordando que alguém decidiu comprar um exemplar de seu livro apenas para poder queimá-lo, nenhum bem isso lhe fará. Então o ideal a fazer é apaga-lo da memória. Não manter um comentário ofensivo – seja em mente ou até circulando na rede – facilita muito as coisas.

Hoje já não é tão possível não ter um perfil em alguma rede social da internet. Claro que alguns gostam de fazer um “detox” das redes, por exemplo, mas cedo ou tarde precisarão voltar. Ou para difundir o conteúdo produzido, ou para retomar seu trabalho. O que quer que seja feito, haters estarão à espreita. Mas você pode ter em mente que é possível se esquivar deles sempre que quiser.

Fontes: Inc., James Clear, Bad is Stronger than Good, Quote Investigator