Ghosting vira forma de terminar relacionamentos na era digital

Por Redação | 09.12.2015 às 10:32

Todo solteiro já deve ter passado pela situação em que um pretendente simplesmente desaparece sem deixar vestígios, não mais respondendo mensagens ou atendendo telefonemas. Se você está nessa situação e isso servir de consolo, saiba que você não está sozinho – o ghosting, como foi chamada essa prática, é real e inclusive foi eleito como uma das palavras mais importantes de 2015 pelo dicionário britânico Collins.

Não é como se fosse algo novo, já que esse tipo de “término” já existia antes da era digital, mas com celulares, redes sociais e, principalmente, apps de encontros criando relacionamentos que parecem cada vez mais efêmeros, aumentou também essa prática pouco adequada. A visão geral é de ausência de uma sensação de que aquilo que está acontecendo é importante e, sendo assim, pode ser deixado de lado sem qualquer problema.

Mas, de acordo com psicólogos, esse tipo de comportamento deixa marcas tanto no abandonado como em quem abandona. De um lado, está a autoestima prejudicada pelo fato de não se ter todas as respostas sobre os motivos para o término, e do outro uma sensação de remorso e até culpa por ter abandonado alguém, que é revivida sempre que se recebe uma mensagem ou qualquer comunicação que jamais será respondida.

Por outro lado, a principal razão por trás do ghosting é o medo do conflito e não o caráter passageiro de certos relacionamentos. Em uma pesquisa da revista Elle, por exemplo, 26% das mulheres e 33% dos homens afirmaram já terem agido assim com um pretendente, e a maioria não tem consciência de eventuais danos causados ou não acha que isso aconteceu. Para os especialistas, o crescimento cada vez maior desse tipo de atitude acaba levando a uma apatia geral, principalmente entre os adolescentes, que se formam para a vida em sociedade com a noção de que sempre existe a possibilidade de serem ignorados sem consequências e, pior do que isso, podem ser completamente descartáveis para outras pessoas.

De forma irônica, isso acontece numa mesma sociedade que, cada vez mais, faz questão de compartilhar os momentos de sua vida e opiniões com todos nas redes sociais. Quando o relacionamento acontece no “tete a tete”, porém, a situação é exatamente a inversa, pois muitos sabem lidar com todos ao mesmo tempo, mas não com um indivíduo de cada vez.

Mais do que tudo isso, se trata de uma forma de pular etapas, o que acaba gerando uma dificuldade cada vez maior de se lidar com o fim de relacionamentos e, no fim das contas, a ocorrência cada vez maior do ghosting. É um ciclo que se retroalimenta e que, para os especialistas, acaba tendo consequências graves no crescimento emocional e interpessoal de cada um.

Fonte: BBC