Estudo mostra que jovens escondem dos pais o que fazem no ambiente online

Por Redação | 06 de Julho de 2015 às 12h04
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Nos últimos 10 anos o acesso a dispositivos tecnológicos pelos jovens aumentou consideravelmente. Visto que o número de jovens conectados é cada vez maior, muitos deles podem não ter a consciência necessária das consequências e impacto que suas ações no ambiente online podem ter em suas vidas. Infelizmente, muitos adotam comportamentos nas redes sociais ou interações com desconhecidos que não são adequados.

A Intel Security realizou um estudo para entender melhor o comportamento online de crianças e adolescentes. Intitulada "Realidade Cibernética: O que os pré-adolescentes e os adolescentes fazem online", o estudo se aprofundou no comportamento online de 8.026 jovens entre 8 e 16 anos, além de ouvir 9.017 pais sobre o comportamento dos filhos na internet. As entrevistas foram realizadas entre os dias 28 de abril a 12 de maio de 2015 em diversos países como Reino Unido, Alemanha, Espanha, França, Canadá, Estados Unidos, Brasil, Japão, Cingapura, Índia e Austrália.

No Brasil, cerca de 1.014 participaram do estudo que apontou diversas práticas dos jovens usuários brasileiros na internet. De acordo com eles, a pior coisa que poderia acontecer no ambiente virtual é ser hackeado (52%), seguido de vazamento de localização e informações pessoais (42%), interação com estranhos (33%), vítima de cyberbullying (29%) e revelação de segredos que comprometem a reputação (27%).

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O estudo da Intel Security também revelou que um em cada três jovens muda o seu comportamento quando sabem que os pais o estão observando (33%). Quase metade dos entrevistados (48%) afirmou que esconde alguma atividade online dos pais. Para não deixar nenhum rastro, 43% afirmam que apagam mensagens ou eliminam o histórico do navegador. Outros 16% minimizam o browser assim que os adultos estão por perto.

Cerca de 35% dos entrevistados brasileiros afirmaram já ter jogado com estranhos. Outras atividades mencionadas pelos entrevistados são ver pornografia (13%), apostar em jogos (6%), compartilhar fotos e mensagens íntimas (4%), enviar fotos inapropriadas de si para outra pessoa (3%) e comprar drogas ou álcool online (1%).

De acordo com os pais, o pior que pode acontecer com os filhos no ambiente online é eles interagirem com estranhos (63%). Mais da metade (57%) acredita que a possibilidade de alguém descobrir a localização da criança e acessar informações pessoais é o pior que pode ocorrer. Com esta preocupação, 84% dos pais admitem que já monitoraram em algum momento o comportamento dos filhos na internet. Para isso, eles utilizam os seguintes meios:

  • 83% afirmam conversar com os filhos;
  • 59% procuram informações em dispositivos;
  • 52% segue os filhos nas redes sociais;
  • 40% define regras de acesso;
  • 36% compartilham das mesmas senhas;
  • 11% monitoram os equipamentos dos filhos.

Entre os jovens de 13 e 16 anos, 97% já possuem conta em alguma rede social. Um dos pontos mais interessantes do estudo é o fato da maioria ter criado uma conta no Facebook quando tinha entre 8 e 10 anos. Vale lembrar que a data mínima recomendada pela rede social é de 13 anos.

Quase todos os pais entrevistados (97%) afirmam já terem tido alguma discussão com os seus filhos sobre as redes sociais. Nessas brigas, os temas mais abordados são cibercrime e roubo de identidade (79%), reputação (77%), definições de privacidade (70%) e cyberbullying (66%). Do lado dos jovens, 26% admitem utilizar nomes ou apelidos falsos nas redes sociais. Desses, 53% não quererem que colegas saibam que são eles que estão colocando determinados conteúdos e 40% se preocupam com o fato dos pais ou professores poderem ver algum conteúdo inapropriado que foram publicados por eles.

Já em relação ao cyberbullying, o estudo mostrou que 52% dos jovens já testemunharam algum tipo de comportamento agressivo nas redes sociais. 11% dizem que já foram vítimas de cyberbullying, 14% já criticaram alguma pessoa online, 13% já fizeram algum tipo de insulto à aparência de outro e 36% afirmam já terem praticado bullying porque outros fizeram algum mal para eles.

O fato dos filhos terem dispositivos móveis aumenta a preocupação de 88% dos pais com respeito ao que os jovens fazem online. Para 72% dos pais, os filhos passam mais tempo nas redes sociais pelos dispositivos móveis do que pelo computador. Cerca de 70% dos jovens passam mais de 2 horas por dia em dispositivos móveis, sendo que 62% afirmam ver vídeos, 59% acessam as redes sociais e 47% trocam mensagens SMS.

Em relação às interações com outras pessoas, a pesquisa mostrou que 25% dos jovens admitem que encontrariam ou já se encontraram pessoalmente com alguém que conheceu online. Os pais que acham normal que o filho tenha algum amigo adulto nas redes sociais representam 65%. Desses, 99% não se preocupam se o adulto for um familiar ou conhecido.

Sobre práticas de invasão de contas, 37% dos jovens afirmam saber a senha de outras pessoas e 42% admitem que já acessaram alguma conta sem que os donos soubessem. Entre os dois principais motivos para esta prática estão o fato de alterarem as configurações ou imagens por piada, o chamado facejacking (49%), ou ver se os amigos estavam conversando com algum ex (28%).

O engenheiro de produtos da Intel Security, Thiago Hyppolito, aconselha aos pais que tenham conversas mais frequentes e abertas com os seus filhos sobre comportamento online e os riscos e consequências que podem ocorrer. De acordo com ele, "a comunicação transparente pode ajudar a construir a confiança entre pais e filhos, incentivar as crianças a partilhar mais informações sobre as suas atividades online e procurar ajudar os pais quando se depararem com alguma atividade suspeita na Internet".

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