Em pesquisa, participantes mostram maior tendência em atirar em “robôs negros”

Por Felipe Demartini | 26 de Julho de 2018 às 11h52
photo_camera Divulgação

Um estudo da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, mostrou que critérios de aparência relacionados a raças também podem ser aplicados a robôs – deixando-os na linha de tiro mais facilmente, da mesma forma que acontece com pessoas negras. Na pesquisa, os participantes eram instruídos a agirem como policiais e visualizavam diferentes imagens de pessoas e máquinas, algumas inocentes e outras portando armas, nas quais deveriam atirar.

Foi um teste para o subconsciente que analisava a forma como até mesmo objetos inanimados podem ser relacionados com critérios de raça, gênero e outros aspectos humanos. Nas fotos, estavam pessoas negras e brancas, mas também robôs de cores escuras e claras, além de alguns estilizados com vestimentas ou acessórios. Na análise, era levada em conta a quantidade de disparos, o tempo de reação e o total de erros cometidos.

Imagens associaram traços raciais a robôs, com reflexo sentido nos participantes (Imagem: Reprodução/Universidade de Canterbury)

O resultado mostrou que os participantes tiveram maior propensão a atirar contra os “robôs negros”, mesmo que eles não estivessem armados. Os tempos de reação no caso destas máquinas foi menor do que com as outras, com muitos respondentes chegando a apontar a arma primeiro, antes de perceberem se eles exibiam algum sinal de que poderiam ser perigosos. A porcentagem de disparos errados, nesses casos, também foi maior.

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De forma a entender melhor como as pessoas associam esse aspecto a objetos inanimados, a universidade realizou um segundo estudo, no qual os participantes deveriam atribuir uma raça a fotos exibidas a ele. Entre as opções estavam diferentes etnias, e também uma “não aplicável”, para objetos em que isso não é um fator. Novamente, o mesmo resultado: robôs estilizados como negros ou com carcaça em tons escuros foram categorizados como tal.

Apenas 11% dos participantes selecionaram a opção “não aplicável” para os robôs estilizados, enquanto esse total foi de 7% para os considerados “brancos”. São totais que surpreenderam até mesmo aos pesquisadores, principalmente pelo fato de que, antes de observarem as imagens, eles assistiram a uma pequena apresentação na qual foi dita, explicitamente, que as máquinas não possuem gênero, raça ou outros aspectos definidores da natureza humana.

A conclusão é que as pessoas podem exibir o chamado “viés de atirador” também quando seres humanos não estão envolvidos na equação. A tendência a associar o comportamento perigoso a características de cor de pele, situação financeira, vestimentas e até postura é um dos aspectos subconscientes trazidos à tona pelo estudo, cuja demonstração relacionada a robôs mostra um comportamento mais enraizado do que se esperava.

Fonte: Universidade de Canterbury

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