Como uma experiência de quase morte ajudou Chad Mureta a se tornar um milionário

Por Redação | 12.10.2015 às 14:00 - atualizado em 13.10.2015 às 09:05
photo_camera Divulgação

Não é novidade que a tecnologia envolve um universo no qual tudo acontece de uma forma bastante rápida. Todos os dias somos bombardeados por milhares de informações, e a cada semana uma nova tendência é criada para complementar nossa experiência online. Algumas dessas ferramentas vieram da mente de Chad Mureta, um dos milionários mais recentes do mundo da tecnologia e responsável por aplicativos de enorme sucesso.

Entre as criações de Mureta está o Fingerprint Scanner Pro. Lançado em 2009, trata-se de um app de segurança que, na prática, não oferece nenhuma segurança: é só um recurso que finge ler a impressão digital do usuário para acessar o celular e liberar (ou negar) acesso ao telefone. Um mês após ser colocado nas lojas de dispositivos móveis, o aplicativo rendeu US$ 12 mil, bem acima dos US$ 1,8 mil investidos inicialmente. Até o momento, já foi baixado mais de 50 milhões de vezes.

Além do Fingerprint, Mureta, agora com 34 anos, já criou e vendeu três empresas de aplicativos, comercializando mais de 50 apps. Sua companhia atual, a App Empire, agora lucra ensinando outras pessoas a desenvolver as próprias ferramentas. A corporação tem uma receita anual entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões.

Mas engana-se quem pensa que Murata é um típico milionário do mercado de tecnologia, como destaca a BBC. O próprio executivo não se considera digno desse título porque afirma não saber programar ou dominar os programas necessários para a criação de um app. E a história de Murata é ainda mais interessante porque ele precisou estar perto da morte para encontrar seu caminho.

Murata conta que, em 2009, as coisas para ele não estavam dando certo: dirigia uma boate, negociava ações, trabalhava como corretor e vendia itens pelo eBay. Para o executivo, isso tudo o deixava infeliz e sem saber o que fazer com sua vida. No mesmo ano, Murata sofreu um grave acidente de carro que quase o fez perder o braço esquerdo. Ficou seis meses no hospital e outros seis em processo de reabilitação, com uma dívida hospitalar de US$ 100 mil.

A situação era tão desesperadora para Murata que ele chegou a pensar em suicídio. "Eu estava no fundo do poço. Muito deprimido, não conseguia dormir, tomava toneladas de remédio – e, na verdade, estava em estado suicida. Sentia tanta dor que achava que não podia mais continuar", declarou. Foi quando, na cama de hospital, Murata observou os médicos mexendo em seu celular e pensou em como seria bom se houvesse uma maneira de aumentar a segurança do aparelho.

Chad Mureta

O smartphone de Murata foi uma das poucas coisas que saiu praticamente intacta do acidente de carro. Com a ideia na cabeça, ele recebeu a visita de um amigo, que lhe entregou uma revista que mostrava uma reportagem sobre apps. Naquela época, essas ferramentas ainda não eram tão populares e estavam em ascensão.

"Eu tive um daqueles momentos em que a ficha cai e você pensa ‘meu Deus, eu vou fazer isso. Eu estava lá, preso a tubos de soro e morfina, quando eu me dei conta que de podia ver um futuro – e pude enxergar um destino diferente para mim", conta.

"Nunca vou esquecer da emoção daquele momento. Não consigo descrevê-la em palavras. Foi um momento revelador: aqui está a resposta, e você será um bobo se não se focar nela". Após fazer algumas pesquisas e tomar emprestado os US$ 1,8 mil de seu padrasto, Murata investiu a quantia na criação do Fingerprint Security Pro.

Hoje ele comanda a App Empire. Embora admita não ser muito participativo no processo de desenvolvimento dos aplicativos, ele afirma ter uma equipe de freelancers e um pequeno grupo de funcionários fixos em quem confia muito. "Eu trabalho uma ou duas horas por dia. Só me certifico de que as coisas estão se encaminhando tranquilamente", diz.

Apesar de seu braço nunca mais voltar a ser funcional como antes, Chad optou por não amputá-lo. "Eu tenho titânio até o ombro. Foi uma cirurgia inacreditável. Eu ainda consigo sentir meu braço e consigo usá-lo. A maioria das pessoas nem suspeita, a não ser quando veem essa cicatriz imensa que parece um urso aqui", brinca o milionário.

Fonte: BBC