Como os pais podem lidar com o cyberbullying sofrido por crianças e adolescentes

Por Andressa Neves | 07.04.2016 às 12:00
photo_camera Foto: Reprodução

Muito se fala sobre bullying, e com o avanço das mídias sociais os profissionais têm ficado mais atentos à prática de agressões na internet. Pesquisas têm sido realizadas para entender esse movimento, inclusive pela Intel, que realizou um estudo para compreender como as crianças e adolescentes brasileiras lidam com o cyberbullying.

O Facebook, por exemplo, já conta com uma central de combate ao cyberbullying no Brasil, mas com o surgimento de novas redes sociais, algumas precauções são necessárias. Para compreender as consequências do cyberbullying, conversamos com a psicóloga junguiana Paloma Vilhena, que realiza atendimentos para crianças e adolescentes.

A profissional revela que "o cyberbullying traz grandes prejuízos para a autoestima e autoimagem de crianças e adolescentes, que podem começar a evitar qualquer tipo de contato social e ter problemas de saúde física ou até transtornos mentais como a depressão e a síndrome do pânico".

O mais preocupante na prática do cyberbullying é que o conteúdo agressivo pode se espalhar rapidamente, fazendo com que a privacidade da vítima seja severamente prejudicada. Uma das dificuldades que os pais experimentam é a incapacidade de monitorar o uso das redes sociais dos filhos. Por isso os adultos devem ficar atentos a alguns sinais e também procurar conhecer as novas tecnologias.

"Muitos pais desconhecem as novas redes sociais e possibilidades de uso, como o Snapchat, ou o significado de termos como sexting, por exemplo. É essencial que pais, educadores e todos que trabalham com crianças e adolescentes atualizem-se para poder orientá-los de forma adequada".

cyberbullying

É comum que as crianças e adolescentes que são vítimas evitem buscar a ajuda dos pais, e por isso os responsáveis devem estar atentos a alguns comportamentos que, geralmente, as vítimas apresentam. Quedas de rendimento escolar, isolamento, ansiedade, tristeza, medo e falta de concentração são alguns dos sintomas apontados pela psicóloga.

Caso os responsáveis identifiquem que a criança ou o adolescente esteja passando por essa situação, é importante saber agir da melhor forma possível para ajudar e não causar mais sofrimento na vítima. Paloma atenta para a necessidade de acompanhar os filhos, mantendo sempre o diálogo, inclusive sobre suas atividades nas redes sociais. Também é importante o estabelecimento de limites sobre tempo, locais e forma de uso das mesmas. Outras formas de lidar com o problema envolvem não punir a vítima, acolher e, em alguns casos, buscar ajuda profissional.

"Muitos jovens não contam aos seus pais por medo de represálias, como não poder utilizar mais o celular ou as redes sociais, algo que é comum acontecer e que é entendido como uma punição. É importante tomar cuidado para que o jovem não se sinta culpado pelo o que aconteceu e receba apoio emocional de amigos e familiares".

Essa questão envolve um ponto fundamental. A vítima de cyberbullying precisa se sentir acolhida, tendo uma base de segurança onde se apoiar. Ter a confiança de que os pais estão ao seu lado é essencial para passar pelo problema da forma menos traumática possível.

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A especialista afirma, ainda, que a falta de atitude dos pais nessas situações pode aumentar a sensação de impunidade em relação aos agressores.

"Tome atitudes. Não tomar uma atitude pode aumentar a sensação de impunidade e incentivar que essas agressões continuem ocorrendo. Em primeiro lugar é importante buscar soluções em conjunto com outros pais ou escola, caso o agressor seja identificado. É possível buscar orientação online gratuita. No site http://new.safernet.org.br/helpline pode-se obter ajuda contra crimes ou violações dos direitos humanos na internet. Também existem delegacias especializadas em crime cibernético".

Outro ponto fundamental é a prevenção, e esse tem sido o foco de diversos estudiosos sobre o tema. Paloma Vilhena fala sobre a importância de informar às crianças e adolescentes sobre os riscos das atividades online, deixando sempre claro que as publicações feitas, sem configurações de privacidade adequadas, podem ser acessadas por qualquer um.

Ainda sobre prevenção, é essencial que os jovens agressores passem por momentos de reeducação, pois, no geral, eles não têm dimensão da proporção que as "brincadeiras" podem gerar na vida do outro.

"Na adolescência existe uma pressão muito grande em ser aceito. Pode ser difícil para o seu filho não repassar a foto que recebeu e entender as consequências que isso pode gerar. Por isso, é importante desde cedo ensinar que não se deve fazer nada que possa envergonhar ou comprometer outras pessoas, tratando todos com respeito em qualquer situação. E a melhor forma de ensinar é através do exemplo! O que você compartilha e publica nas suas redes sociais pode afetar alguém negativamente?".

Obviamente, comportamentos enraizados demoram para mudar, mas é importante ver a preocupação dos gestores e estudiosos em garantir que a internet se torne um ambiente saudável e seguro. Como você educa os seus filhos para o uso das redes sociais?