Celulares são o principal meio de acesso à internet dos jovens brasileiros

Por Redação | 30 de Julho de 2015 às 08h39

Não é novidade que o uso de dispositivos móveis acontece cada vez mais cedo na vida de crianças e adolescentes e esses aparelhos estão tão populares entre o público infanto-juvenil que acabaram se tornando o principal meio de acesso à internet no Brasil entre usuários de 9 a 17 anos de idade. Este é o resultado da pesquisa nacional TIC Kids On-line 2014, divulgada nesta terça-feira (28) pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br) e pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

O estudo, que teve por objetivo medir o uso e os hábitos dos jovens do país quanto às novas tecnologias, foi realizado entre outubro de 2014 e fevereiro de 2015. De acordo com o relatório, 82% dos jovens acessaram a rede por meio de tablets e smartphones no ano passado, contra 53% em 2013. Dos usuários entre 9 e 17 anos, 81% utilizaram a rede todos ou quase todos os dias - há dois anos, essa porcentagem era de 63%. Além disso, de todos os jovens brasileiros, 77% têm acesso à internet, o equivalente a 20,5 milhões de pessoas no país.

Outro ponto destacado pela pesquisa é que, como os dispositivos móveis se tornaram a principal forma de acesso dos jovens, o lugar onde eles acessam a rede também está sofrendo mudanças. Apesar da sala de estar ainda ser o local dominante (81%), o quarto tem crescido na preferência desses usuários, chegando a 73% deles. Em 2013, o índice era de 57%.

"O crescimento da importância da mobilidade já era indicado nos levantamentos anteriores, mas em 2014 isso se acentuou, atingindo um marco inédito", diz Fábio Senne, coordenador de projetos e pesquisas do CETIC.br. "Percebemos uma queda na faixa etária do usuário desses dispositivos. Enquanto os jovens estão ganhando celulares, os tablets têm se tornado uma ferramenta cada vez mais frequente de crianças", complementa.

Consequentemente, o uso mais contínuo de aparelhos móveis afetou a utilização dos computadores, que caiu de 71% em 2013 para 56% no ano passado. Os tablets também roubaram parte dessa fatia em um ano, pulando de 16% para 32%.

Redes sociais

Facebook, Twitter e outros sites de relacionamento foram outro fator que contribuiu para o crescimento no uso de tablets e smartphones para acessar a internet. Essas plataformas sociais são preferência entre 73% dos jovens, com a rede de Mark Zuckerberg em primeiro lugar (78%) entre usuários de 9 a 17 anos. O índice é ainda maior (95%) entre internautas de 15 a 17 anos e de 43% entre os de 9 e 10 anos. Em segundo lugar no ranking vem o Instagram (24%), seguido pelo Twitter (15%).

Pelo fato de mais jovens terem acesso à web, também aumentaram os riscos que esses jovens estejam expostos no ambiente online. Segundo a pesquisa, 15% dos entrevistados disseram já ter sido tratados de maneira ofensiva por alguém na rede, 21% já viram mensagens de ódio online contra pessoas ou grupos de pessoas e outros 10% já tiveram informações pessoais utilizadas na internet de uma forma que não gostou.

"Percebemos que entre os nativos digitais, quase metade deles ainda não possui noções básicas de segurança na rede, como configurar as suas preferências de privacidade", afirma Rodrigo Nejm, diretor da Safernet Brasil, ONG que luta pela preservação dos direitos humanos na internet. "Muitos adultos, pais e responsáveis partem do princípio que os jovens sabem utilizar a tecnologia mais do que eles e os dados mostram que não é bem assim. Daí a importância da orientação ao jovem nesse uso, seja em casa ou na escola".

Para conscientizar os usuários sobre esse assunto, a Unicef lançou, em parceria com o Google e a Safernet Brasil, uma campanha voltada para o uso responsável da internet entre os jovens. A iniciativa vai contar com vídeos sobre cyberbulling e sexting, privacidade, amizade e relacionamentos online, busca com segurança, além de preconceito e intolerância na rede.

A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2014 entrevistou 2.105 crianças e adolescentes usuários de Internet com idades entre 9 e 17 anos em todo o território nacional entre outubro de 2014 e fevereiro deste ano. Também foram entrevistados 2.105 pais, que responderam a perguntas sobre o perfil de uso, frequência de acesso, equipamentos utilizados, local onde navega e atividades realizadas online.

Fontes: CETIC.br

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