Brasil é o país que mais busca pornô trans e o que mais tem crimes transfóbicos

Por Redação | 26 de Fevereiro de 2016 às 15h18
photo_camera Divulgação

Uma pesquisa recente conduzida pelo site Redtube mostra dados reveladores sobre como muitos brasileiros acessam pornografia. De acordo com o estudo, o Brasil é o país que mais procura por conteúdo adulto transexual na plataforma de vídeos online.

Mesmo sem divulgar dados específicos, o Redtube afirma "você tem 89% mais chances de pesquisar sobre transexuais [no site], se vier do Brasil". O termo "shemale", bastante usado em sites pornôs para a busca de vídeos com trans, é o quarto tópico mais buscado pelos brasileiros – no ranking mundial, a expressão ocupa o nono lugar. Além disso, entre os 30 termos mais pesquisados pelos brasileiros estão palavras como "travesti" e "brazilian shemale".

Por outro lado, essas informações mostram um contraponto perturbador e preocupante: o Brasil pode ser o local do globo que mais busca por pornografia trans, mas também é o país que mais mata transexuais no mundo. Segundo um relatório da ONG Transgender Europe, entre janeiro de 2008 e março de 2014, foram registrados 604 assassinatos em território nacional. Além dos homicídios, outra violência recorrente às pessoas trans são as agressões físicas. No ano passado, a modelo Viviany Beleboni, que interpretou uma crucificação durante a Parada LGBT paulista, foi esfaqueada na rua após ser reconhecida.

Para Carmita Abdo, coordenadora de pesquisas sobre sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo, a relação entre a transfobia brasileira e as buscas em sites pornôs pode ser encarada de diversas formas. As principais são o desejo reprimido e a curiosidade em saber mais sobre aquilo que os agressores não aceitam. No entanto, a especialista destaca que não se pode generalizar todos os casos.

"O site é uma fonte de informações para o agressor saber mais sobre as vítimas, e também para justificar seu ódio, porque lá ele vê coisas que não aceita. O agressor pode afirmar que sempre achou aquilo bizarro, mas se vê atraído, então, é capaz de fazer de tudo para sanar esse desconforto, inclusive machucar terceiros. É importante não generalizar. Não se pode dizer que todos os agressores estão buscando matar algo dentro de si, mas parte desse grupo pode, sim, ter esta motivação. As causas variam", disse.

Em 2016, que acumula pouco mais de 50 dias, pelo menos 13 brasileiros já foram assassinados em 2016 por não se identificarem com o gênero que lhes foi designado ao nascerem.

Via: Super Interessante

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